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Relais châteaux à paulista

Inspiradas nos conceitos de exclusividade, charme, conforto e excelência na culinária que tornam a vida do hóspede um sonho, duas pousadas no interior de São Paulo convidam ao relaxamento e ao prazer em contato com a natureza

Relais châteaux à paulista

O lago dos cisnes e o cuidado do paisagismo do Lake Villas.

Ao se sagrar campeão da América Latina na categoria Best For Romance pelo rigoroso Condé Nast Johansens Awards for Excellence 2017, prêmio concedido pela publicação que é considerada a bíblia do turismo de luxo, o Lake Villas Charm Hotel & Spa acrescentou mais um merecido troféu à sua coleção: em 2016, ele havia sido escolhido o melhor na categoria revelação (Best Neucomer), além de ter obtido, em 2015, o selo de excelência que a Condé Nast Johansens dedica aos melhores estabelecimentos de alto padrão do mundo. O triplo reconhecimento coroa uma história de sucesso que se inspira na tradição francesa dos “relais & châteaux” (literalmente, pousadas e castelos) que combinam luxo, conforto e privacidade com a mais plena satisfação dos sentidos, principalmente aqueles proporcionados pelos prazeres da boa mesa. Desde a década de 1950, Relais & Châteaux é o nome de uma associação que credencia os estabelecimentos que atendem aos mais altos padrões de hospedagem e alta gastronomia em lugares paradisíacos.

Com 546 membros em 62 países, a Relais & Châteaux oferece um mundo de destinos extraordinários. No Brasil, apenas dois estabelecimentos contam com a distinção: o Saint Andrews, em Gramado (RS) e o Txai Resort, em Itacaré (BA). Embora não seja filiado à entidade, o Lake Villas, em Amparo (SP), reúne todas as credenciais de um autêntico relais château.

Localizado na região do Circuito das Águas de São Paulo, o hotel está dentro do maior jardim privado do Brasil (145 hectares), sendo que a área total do hotel corresponde a quatro milhões de metros quadrados. Com apenas oito vilas, cada uma com o próprio jardim privativo, que inclui fonte de água, espreguiçadeiras e redes. Todas são cercadas de uma beleza natural de tirar o fôlego: são 12 lagos naturais, cachoeiras e mini-praias particulares às margens do Lago dos Cisnes. Com areia branca e finíssima, elas são perfeitas para desfrutar da vista exuberante das montanhas. O restaurante Casa do Lago, cercado de vidro para privilegiar a vista, tem adega climatizada com cerca de 150 rótulos. Há ainda spa completo e academia.

Natureza intocada

Há mais de dez anos, quando o casal Mário e Marta Sarraf (ele industrial, ela uma dentista que se dedicou com afinco ao estudo da gastronomia) procurava um terreno para construir o restaurante de seus sonhos, uma antiga fazenda de trutas nas encostas da Serra da Mantiqueira despontou como o lugar ideal.

Ali, a natureza permanecia tão intocada quanto exuberante. Nascia a Vila Serra da Luz, primeiro como restaurante e só bem mais tarde também como pousada – são apenas cinco chalés extremamente confortáveis. “Nossa proposta é receber poucos hóspedes para poder dar atenção especial a cada um”, diz Mário, enquanto prepara uma deliciosa caipirinha de três limões no balcão do Bar Pindá. O nome, que significa “anzol”, se relaciona a Pindamonhangaba, cidade vizinha a Campos do Jordão onde fica a pousada.

À altitude de mil e cem metros, com vista para o Vale do Paraíba e a Serra do Quebra Cangalha do longe, a propriedade lembra uma reserva natural cuidadosamente adaptada para receber hóspedes sem interferir no ambiente.

É possível caminhar por trilhas que ladeiam cursos d’água, relaxar em espreguiçadeiras ou mergulhar nos poços formados pelas belíssimas cachoeiras (uma delas, batizada de lágrimas de diamantes, ultrapassa cem metros de altura). No caminho há ainda rochedos e grutas. As antigas construções do tempo do criadouro de trutas deram lugar às novas construções, onde a paz predomina e, como dizem os donos, “qualquer problema fica pequeno”.

Quatro fontes de inspiração orientaram as escolhas de Mário e Marta na construção da Vila Serra da Luz: a natureza viva, a gastronomia e os “vinhos da alma”, a arquitetura e o design, e a espiritualidade cristã – materializada na Capela do Espírito Santo, toda de madeira e vidro em meio ao verde.

Marta, filha de padeiro, é quem comanda a cozinha, com um desfile de pratos elaborados segundo as técnicas francesas que valorizam os ingredientes locais. “A Vila é um espaço de harmonia que nos estimula os sentidos e a sensibilidade de modo a agirmos como seres humanos integrais”, afirmam os sócios, casados há 37 anos, felizes e com o dom de tratar cada hóspede como se fosse um grande amigo, com acolhimento e espaço. Um ligar para viver momentos inesquecíveis.