Relações Itália Rússia: embaixador russo vê Itália mudar postura

Diplomata Alexei Paramonov vê reunião de Salvini e empresários como sinal de volta ao pragmatismo nas relações pós-sanções

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O embaixador da Rússia em Roma, Alexei Paramonov, avaliou a reunião entre o vice-premiê e ministro dos Transportes da Itália, Matteo Salvini, e empresários italianos, ocorrida nesta segunda-feira, 14 de setembro, em Milão, como um sinal de possível mudança de postura do governo italiano em relação a Moscou. Segundo Paramonov, este encontro marca o início de um “retorno do establishment italiano ao realismo, ao pragmatismo e ao bom senso”.

O embaixador russo Alexei Paramonov interpretou a reunião de Matteo Salvini com empresários como um indicativo de que as relações Itália Rússia podem estar em fase de reavaliação.

  • Diplomatas russos esperam que as preocupações dos empresários sobre a redução do comércio e as sanções sejam consideradas pelo governo italiano.
  • A Rússia expressou abertura para retomar o fornecimento de gás à Europa Ocidental sob condições de vantagem econômica e disponibilidade.

Paramonov, em comunicado divulgado no canal da Embaixada da Rússia no Telegram, afirmou ainda esperar que as opiniões apresentadas pelos empresários sejam levadas ao conhecimento de outras autoridades de alto escalão do governo italiano e dos ministros competentes.

Salvini reuniu-se com uma delegação de empresários italianos que atuam no mercado russo, acompanhados por Vittorio Torrembini, presidente da associação Gim Unimpresa, responsável pela organização do evento.

Impacto das sanções e cooperação energética

Na avaliação de Paramonov, os empresários, com base em sua experiência direta, percebem a redução das oportunidades comerciais desde a adoção das sanções da União Europeia contra Moscou após o início da guerra na Ucrânia.

O diplomata afirmou que as medidas provocaram uma forte redução da cooperação energética entre Rússia e Itália e contribuíram para a queda do comércio bilateral, cujo volume diminuiu quase dez vezes.

“Não parece possível substituir, na matriz energética italiana, os volumes de recursos energéticos a preços acessíveis que anteriormente vinham da Rússia. Tampouco é possível identificar, de forma rápida e eficaz, novos mercados para as exportações tradicionais italianas”, acrescentou Paramonov.

Há sinais de mudança na Itália?

O representante do governo de Vladimir Putin também defendeu a retomada das relações econômicas entre os dois países, tendo em vista que, na Itália, “há uma crescente consciência de que o caminho adotado foi um erro e de que seria apropriado começar a considerar formas de restaurar e revitalizar as relações econômicas com a Rússia — vínculos que foram precipitadamente cortados”.

As declarações do embaixador ocorreram um dia depois de Salvini afirmar que a Itália poderia voltar a importar gás russo após o fim do conflito na Ucrânia.

Nesta terça-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, respondeu que a Rússia poderia retomar o fornecimento de gás à Europa Ocidental no futuro, desde que a operação seja economicamente vantajosa para Moscou e que haja volumes disponíveis.

“Se tais fornecimentos forem vantajosos — antes de tudo — e se for possível reservar os volumes de gás necessários”, afirmou Peskov, segundo a agência Interfax.

O porta-voz ressaltou que grandes volumes de gás russo já foram direcionados a outros mercados, em razão da mudança nos fluxos de exportação provocada pelas sanções e pela redução das compras europeias.

Salvini (Liga) era um admirador declarado de Putin antes do início da guerra e também já expressou ceticismo em relação à política de apoio militar da Itália e de outros países europeus à Ucrânia.

Da IstoÉ com ANSA