“Relação Meloni-Trump”: premiê admite esperar laços mais fáceis

Primeira-ministra italiana revela expectativa de maior proximidade com Trump, mas divergências alteram cenário

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A premiê da Itália, Giorgia Meloni, admite que esperava uma relação “mais fácil” com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, devido à proximidade ideológica entre os dois. A declaração, concedida em uma rara entrevista ao jornal The New York Times, surge em um momento de tensões crescentes, impulsionadas por divergências sobre a guerra no Irã e os ataques de Trump ao Papa Leão XIV.

  • A relação Meloni-Trump foi marcada por atritos recentes, como divergências sobre a guerra no Irã e a defesa da premiê ao Papa Leão XIV, criticado pelo ex-presidente.
  • Giorgia Meloni revelou ao jornal The New York Times que, apesar da afinidade ideológica, acreditava que sua interação com Donald Trump seria “mais fácil”.
  • A premiê italiana confirmou não ter contato com Trump há semanas, enfatizando que prioriza a união do Ocidente sobre relações pessoais na estratégia italiana.

A declaração de Meloni foi concedida em uma rara entrevista exclusiva ao periódico americano The New York Times. Nela, a premiê italiana explicou que sua expectativa inicial baseava-se em uma convergência de ideias.

“É evidente que eu pensei que as coisas seriam mais fáceis com Donald Trump, dada a nossa convergência em relação à imigração e à cultura woke. As coisas acabaram sendo diferentes”, disse Meloni à publicação.

A premiê já foi considerada a principal aliada do então presidente dos EUA na Europa e chegou a ser definida por ele como uma “inspiração para todos”. No entanto, essa percepção mudou drasticamente.

O que causou o esfriamento da relação?

Em abril passado, a relação entre os dois desandou após o governo italiano negar o uso de uma base americana na Sicília para operações militares contra o Irã. Além disso, Trump se irritou depois de Meloni defender o Papa Leão XIV das críticas feitas por ele.

Na ocasião, a primeira-ministra chamou os ataques ao pontífice de “inaceitáveis”, enquanto o republicano respondeu que a líder italiana não tinha “coragem”, intensificando o atrito entre ambos.

Em junho, os dois se encontraram na cúpula do G7 na França. Naquele momento, a premiê afirmou que, apesar das recentes tensões, a relação com Trump permanecia “inalterada” e que um havia “compreendido o ponto de vista” do outro.

União ocidental acima das questões pessoais

Contrariando a declaração de Meloni, logo em seguida, Trump acusou a primeira-ministra de ter “implorado” para tirar uma foto na reunião do G7 e que ele aceitou somente por “pena”. Meloni reagiu prontamente, afirmando que as declarações do ex-presidente americano eram “totalmente inventadas”.

Na entrevista ao New York Times, a premiê confirmou que não fala com Trump há várias semanas e foi evasiva ao ser questionada se conversaria com ele após as férias de verão na Europa. “Bom, vamos ver”, respondeu, indicando incerteza sobre futuros contatos.

“Continuo acreditando que a união do Ocidente seja muito importante e não decido a estratégia italiana com base nas minhas relações pessoais”, salientou Meloni, reafirmando seu compromisso com a política internacional em detrimento de laços individuais. (Da IstoÉ com ANSA)