Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, foi detido na manhã desta quinta-feira, 26, em uma residência localizada em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Apontado como integrante da cúpula do jogo do bicho no estado, ele também é investigado por atuar como um dos principais responsáveis pela produção e distribuição de cigarros falsificados em território fluminense.
Assim como ocorre com outros contraventores ligados à atividade, Adilsinho mantém relação próxima com o universo do samba. Em março de 2024, cerca de um mês após o Carnaval, o Acadêmicos do Salgueiro anunciou sua entrada como patrono da escola. A vermelho e branco do Andaraí oficializou o nome do bicheiro para a função tradicionalmente associada ao financiamento da agremiação.
A figura do patrono, historicamente ocupada por nomes de peso da contravenção como Castor de Andrade, Capitão Guimarães e Anísio Abraão David, costuma representar quem realiza aportes financeiros à escola em troca de prestígio e influência na comunidade ligada à agremiação. No caso do Salgueiro, já exerceram esse papel os bicheiros Miro Garcia e seu filho, Maninho. A disputa pelo espólio da família, inclusive, é um dos eixos centrais do documentário ‘Vale o Escrito’, disponível no Globoplay.
Adilsinho também tem laços familiares com outro nome influente do carnaval: ele é primo de Helinho de Oliveira, presidente de honra da Acadêmicos do Grande Rio, uma das principais escolas de Duque de Caxias, onde divide protagonismo nos bastidores com Jayder Soares. Sua chegada ao Salgueiro ocorreu semanas depois de a escola alcançar a 7ª colocação com o enredo “Delírios de um Paraíso Vermelho”, desenvolvido por Edson Pereira, resultado que a deixou fora do Desfile das Campeãs — o pior desempenho da agremiação desde 2006.
No Carnaval de 2026, o Salgueiro levou para a avenida uma homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães com o enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”. O projeto foi assinado pelo carnavalesco Jorge Silveira e pelo enredista Leonardo Antan, com colaboração de Ricardo Hessez e Allan Barbosa na equipe criativa. Após uma apuração acirrada, disputando décimo a décimo até o último quesito, a escola terminou na 4ª posição.
Quem é Adilsinho?
Adilson Oliveira Coutinho Filho, mais conhecido como Adilsinho, é considerado um dos criminosos mais procurados do país, ele é investigado por dezenas de homicídios, incluindo rivais do mundo do crime, integrantes de sua própria quadrilha e até policiais. Entre os casos mais notórios está a morte de um advogado em fevereiro de 2024, assassinado em frente à OAB, próximo ao Ministério Público, considerada pelas autoridades como uma ação “extremamente ousada”.
Além de seu envolvimento no crime organizado, Adilsinho buscava destaque na sociedade fluminense. Em 2010, fundou o Clube Atlético Barra da Tijuca, chegando a atuar como jogador. Em 2024, tornou-se patrono da escola de samba Salgueiro e, em 2021, durante a pandemia, promoveu uma festa de aniversário luxuosa no Copacabana Palace, que custou cerca de R$ 4 milhões e contou com apresentações de Ludmilla, Gusttavo Lima, Alexandre Pires e Mumuzinho.
Adilsinho dominou grande parte do jogo do bicho no Rio de Janeiro, defendendo recentemente a criação de uma “nova cúpula” da contravenção. Ele expandiu seu poder territorial tomando áreas da Zona Sul, Centro e Zona Norte que antes eram controladas pelo rival Bernardo Bello, além de atuar em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
O contraventor também explorou o mercado de cigarros falsificados, sendo apontado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público como o maior produtor e distribuidor do estado. Seu esquema já foi alvo de operações como a “Smoke Free” (2022) e “Fumus” (2021). Em uma das fábricas clandestinas, mais de 20 trabalhadores paraguaios eram submetidos a condições análogas à escravidão.
O respeito e o domínio de Adilsinho eram impostos pela força. Ele liderava uma quadrilha suspeita de pelo menos oito homicídios no Rio de Janeiro e no Maranhão. Entre as vítimas estão rivais como Marco Antônio Figueiredo Martins, o “Marquinho Catiri”. Diálogos interceptados indicam que comparsas reconheciam seu poder e a forma brutal como assumiu o controle do crime: “matando os bicheiro todinhos”.
Em dezembro de 2025, a Delegacia de Homicídios da Capital indiciou Adilsinho como mandante dos assassinatos de Marquinho Catiri e de Alexsandro José da Silva, o “Sandrinho”, ocorridos em novembro de 2022, em Del Castilho, Zona Norte do Rio. As mortes teriam facilitado a tomada de pontos de exploração de jogos de azar que eram de Bernardo Bello, consolidando Adilsinho como um dos maiores nomes do crime organizado fluminense.
Adilson Oliveira Coutinho Filho, Adilsinho (Reprodução).