O Dia

Rei das Unhas faz sucesso na Penha

Wallace se especializou em unhas decoradas e reina na comunidade Kelson's, onde pincela sua arte. Nas redes sociais ele contabiliza mais de 15 mil visitas no Instagram

‘Dentro de todo palácio mora um rei, né?”. Foi com essa frase que o designer de unhas Wallace Costa, de 29 anos, explicou o nome do seu salão de beleza, o Palácio das Unhas. Conhecido pelas clientes como o Rei das Unhas, o manicuro empreende há 11 anos na comunidade Kelson’s, onde nasceu e foi criado, na Penha. Wallace é referência no ramo, com mais de 70 mil seguidores no Instagram.

O ex-atendente de lanchonete migrou para a beleza por necessidade. Sem emprego, Wallace ajudava a amiga Priscila a fazer escova e prancha em mulheres da comunidade, até se arriscar nas unhas. “Certa vez, fazendo a unha da Priscila, eu finalizei com um desenho, porque sempre gostei de desenhar. Foi uma novidade no bairro e bombou, todo mundo queria saber quem fez. Depois disso, resolvi investir”, contou.

Wallace iniciou os atendimentos de porta em porta, com uma maleta de mecânico. Com o crescimento do número de clientes, precisou usar a varanda da casa da mãe para dar conta da agenda lotada. Apesar do talento, o preconceito que enfrentou quase o fez desistir de tudo.

“Parei de fazer unhas em 2007, por causa do preconceito. Duvidaram da minha masculinidade e, por falta de apoio, fui trabalhar como assalariado. Minhas ex-clientes me pediam para voltar e eu decidi voltar. No emprego fixo, trabalhava até as 17h. Depois, atendia na varanda da minha mãe até as duas da madrugada. Saí de lá em 2008, quando aluguei um espaço, o mesmo em que hoje sou proprietário”, relembrou.

Doze anos depois, casado com Dalila Rubim, que administra o salão, e pai do pequeno Lorenzo, de 2 anos, Wallace viu seu empreendimento crescer. Com a ajuda das redes sociais, ele contabiliza mais de 15 mil visitas semanais no perfil do Instagram e mais de 45 mil seguidores no Twitter. Todo esse sucesso cai no gosto no público que, segundo o Rei, vem de vários cantos do Rio. “A maioria (das clientes) é de fora da comunidade. Muitas vêm de Jacarepaguá, Barra da Tijuca, Belford Roxo, Nova Iguaçu e Niterói”, revelou Wallace.