Economia

Regulador aéreo dos EUA defende gestão de crise do Boeing 737 MAX

Regulador aéreo dos EUA defende gestão de crise do Boeing 737 MAX

Diretor interino da Agência Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), Dan Elwell (E), no Congresso, em Washington, em 15 de maio de 2019 - GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP

O chefe da agência de aviação dos EUA defendeu a certificação do Boeing 737 MAX na quarta-feira, após relatos de que os pilotos levantaram dúvidas iniciais sobre a aeronave e questionamentos acerca da independência dos reguladores para controlar a aeronáutica.

Em um segundo comparecimento perante o Congresso em menos de dois meses, Dan Elwell, o chefe em exercício da Agência Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), foi questionado sobre a certificação de um modelo cuja utilização foi suspendida em todo o mundo após de dois acidentes que deixaram 346 mortos.

Na véspera, a mídia americana revelou que os pilotos da American Airlines pressionaram as autoridades da Boeing no final de novembro para tomar todas as medidas necessárias, incluindo a suspensão dos voos, para garantir que o 737 MAX estivesse seguro após um acidente de avião da Lion Air que deixou 189 mortos em 29 de outubro.

Outro relatório indicou que a FAA não avaliou de forma independente a segurança de um sistema do Boeing 737 MAX que estava envolvido nos dois acidentes fatais, e que delegou as principais decisões à empresa.

A FAA supervisiona as mudanças no Boeing 737 MAX, enquanto ambas enfrentam investigações da Justiça americana, em face de alegações de que a agência reguladora tem sido muito complacente com a fabricante aeronáutica.

“Temos um sistema robusto de controle e proteção contra conflitos de interesses ou pressões injustificadas”, disse Elwell. “É um bom sistema (…) mas pode ser melhorado.”

O funcionário ressaltou que o fato de ter havido apenas uma morte em acidentes aéreos nos Estados Unidos na última década mostra um histórico de segurança “que de muitas maneiras é notável”.

“Quando comprovarem (a nova versão do 737 MAX), eu serei um dos primeiros a comprar a passagem porque acredito em nossa aviação, confio em vocês e confio na Boeing”, disse o congressista Paul Mitchell a Elwell.

Mas o diretor da FAA enfrentou questões difíceis, incluindo uma sobre a decisão da agência de deixar o 737 MAX em solo somente depois que virtualmente todas as autoridades de aviação do mundo já haviam tirado a nave de serviço.

Elwell disse que a agência norte-americana só agiu depois que os “dados” mostraram uma conexão entre o acidente de outubro da Lion Air e o da Ethiopian Airlines em março.

“Parece que o senso comum deveria ter sido imposto”, disse o legislador Steve Cohen, democrata. “Os dados são bons, mas isso é algo que está diante dos seus olhos”.