Esportes

Refugiado quebra recorde nos 100m na Paralimpíada e se emociona: ‘Pedia esmola nas ruas’

Crédito: AFP

Salum Ageze Kashafali (Crédito: AFP)


Salum Ageze Kashafali simplesmente foi além em Tóquio 2020 e anotou a melhor marca de toda a história do Jogos Paralímpicos no último domingo (29). O norueguês conseguiu correr os 100m rasos na categoria T12 em 10s43.

Após o final da prova para atletas de baixa visão, Salum não conseguiu segurar e emoção e lembrou da fuga coma família da guerra civil da República Democrática do Congo quando ainda era uma criança.

“Não sei o que dizer, cara (começa a chorar). Eu vim do nada. Eu pedia esmola nas ruas. Eu acreditei. Me mudei para a Noruega como refugiado. Passei por tanta coisa, de tiros à fome, e estar aqui como um dos melhores significa muito para mim. Valeu a pena. Fui de zero a alguma coisa. Tudo é possível. Estou muito feliz em ser um dos atletas paralímpicos mais velozes da história”, disse Kashafali que encontrou abrigo na Noruega.

“O objetivo era ganhar uma medalha. Eu sei que sou veloz, mas não esperava correr tão rápido assim. Isto foi apenas um bônus”, completou Salum.

O norueguês bateu por três centésimo a marca do irlandês Jason Smyth que fez os 100m em 10s 46 em Londres 2012. A marca atingida nos Jogos da capital inglesa também foi batida pelo brasileiro Petrúcio Ferreira Santos, no Mundia de 2019, com 10s42, o que garantiu o recorde mundial da prova.