Refugiado nascido no Congo conquista torcida brasileira

As imagens dos torcedores aplaudindo e o som de seu nome ecoando na Arena Carioca 2 não vão sair mais da cabeça do judoca Popole Misenga, refugiado que disputou a categoria até 90kg nos Jogos do Rio. Quando ele sofreu um ippon do sul-coreano Dong-han Gwak, em sua segunda luta, fez algo que acostumou a fazer em sua vida dura: caiu e levantou.

Nas arquibancadas, os brasileiros adotaram o atleta e gritaram seu nome. “Me sinto um brasileiro”, confessou. O público aplaudiu de pé e ele aplaudiu de volta. “Quando entrei no tatame, achei que não teria pessoas torcendo para mim. Aí me falaram que eu ia enfrentar o campeão mundial. Não me importo. Perdi, mas vou pegar ele na próxima vez”, disse.

 

Popole já tinha vencido sua primeira luta, contra o indiano Avtar Singh. A trajetória na competição foi interrompida pelo sul-coreano campeão mundial. “Estou muito feliz e emocionado. Não podia imaginar isso nem em sonho. Espero ter mais apoio, quero competir mais. A Olimpíada passou, mas não vou parar. Vou voltar depois mais forte, acredito que posso ganhar uma Olimpíada ou um Mundial”, afirmou.

O atleta nasceu no Congo, mas quando veio para uma competição no Rio, decidiu não voltar para seu país, onde vivia uma realidade cruel. Quando perdia, por exemplo, era colocado em uma jaula só com um pedaço de pão velho e um pouco de água. Acostumou-se desde cedo a sobreviver e já não sabe como estão seus irmãos, que ficaram no Congo. “Meu nome já está na história da Olimpíada. Sou um vencedor, um refugiado que enfrentou o campeão do mundo”, disse.