A Câmara de Representantes dos Estados Unidos adotou nesta quinta-feira (16) a reforma fiscal de Donald Trump, apesar de haver incertezas sobre se vai sobreviver à votação no Senado, onde os republicanos têm uma pequena maioria.
A Câmara baixa, dominada pelos republicanos, aprovou por 227 votos contra 205 o projeto de lei que reduz os impostos das empresas e dos trabalhadores a partir de 2018.
A oposição democrata votou unanimemente contra, bem como 13 legisladores republicanos.
“Votar essa reforma é o mais importante que podemos fazer para retomar o ritmo de crescimento (…) e ajudar as famílias de classe média que ficaram mal”, disse Paul Ryan, presidente da Câmara.
O projeto de reforma reduz o imposto sobre os lucros corporativos de 35% para 20% e também diminui o imposto sobre a renda pessoal. Envolve ainda uma grande simplificação do sistema tributário, com a eliminação de múltiplas deduções de impostos e a promessa, para 90% dos contribuintes, de poder realizar a declaração com “cartão postal”, em vez de usar complexos programas, ou contadores, como a maioria dos americanos faz atualmente.
A votação foi feita pouco depois de Trump se reunir com a bancada republicana da Câmara de Representantes, para quem ele se mostrou “muito otimista” e pediu apoio ao projeto, segundo assistentes.
Após a votação, o presidente saudou com um tuíte a Câmara por “dar um grande passo rumo ao cumprimento da nossa promessa de RECORTES DE IMPOSTOS históricos para o povo americano no fim do ano”.
A votação implicou também uma vitória para o presidente da Câmara, Paul Ryan, que lutou por fazer avançar a agenda de Trump no Congresso.
O deputado Don Bacon revelou à AFP o que Trump lhes disse: “é a oportunidade que vocês têm de passar de medíocre para excelente, hoje depende de vocês”.
– Aposta arriscada –
Mas a aposta é mais difícil no Senado, onde os republicanos têm uma estreita maioria de 52-48 sobre os democratas.
Ron Johnson tornou-se, nesta quarta-feira, o primeiro senador republicano a se opor à iniciativa, alertando que ela reduz os impostos mais significativamente para as grandes corporações, enquanto negócios menores, nos quais os empresários pagam impostos “cruzados” individualmente, são tratados de forma diferente.
“Se puderem aprová-la sem mim, façam-no”, declarou Johnson ao jornal The Wall Street Journal. Ele acrescentou que o projeto beneficia injustamente grandes empresas.
“Não vou votar por esse pacote de impostos”, expressou.
Apesar de os legisladores planejarem manter as diretrizes partidárias, os republicanos só podem ter dois dissidentes no Senado. Se três se opõem, a iniciativa fracassa.
Trump disse, no Twitter, que o partido opositor estava “lutando contra um grande corte de impostos para a classe média e os negócios médios” por um motivo: “obstrução e demora”.
– Outra punhalada –
Em uma nova reviravolta no ambicioso projeto, os republicanos do Senado se inclinaram às pressões de Trump e incluíram a supressão da obrigação universal a se inscreverem em uma cobertura de saúde ao seu projeto de reforma fiscal.
Os republicanos estão ansiosos por dar outras punhalada e paralisar a lei de seguro de saúde de 2010 do ex-presidente Barack Obama, uma tentativa frustrada várias vezes neste ano.
Ao incluir uma derrogação da regra que exige que as pessoas tenham seguro de saúde, ou paguem uma multa na nova lei tributária, os republicanos conquistariam uma vitória dupla.
A revogação da regra economizaria cerca de 338 bilhões, conforme previsto pelo Escritório de Orçamento do Congresso, uma verba que ajudaria a cobrir os cortes nas receitas fiscais.
Mas o Escritório também projeta que a revogação elevaria os custos dos seguros de saúde em 10% e deixaria 13 milhões de americanos sem cobertura médica na próxima década.
O líder democrata do Senado, Chuck Schumer, disse que tal aumento nos custos “mais que eliminaria” os cortes de impostos para as famílias de classe média.
“Se eles (republicanos) fizerem isso, todos os problemas com o seguro de saúde cairão nas suas costas”, alertou.
Todos os olhos estão voltados para os senadores republicanos que poderiam fazer o projeto ser aprovado ou fracassar.
Eles incluem John McCain, Susan Collins e Lisa Murkowski, que juntos naufragaram o projeto de Trump para revogar o “Obamacare”, em meados deste ano, e Bob Corker, que disse que ele se opõe a essa medida porque aumentará o déficit.