Em uma decisão conjunta, um grupo de emissoras de televisão dos Estados Unidos, incluindo NBC, ABC, CBS e Fox, anunciou nesta segunda-feira (21) o boicote à cobertura de eventos do então presidente Donald Trump. A medida ocorreu após a Casa Branca proibir o acesso da CNN, que faz parte do consórcio, a um evento do mandatário em Nova York, onde ele participaria da Assembleia Geral da ONU.
- Redes de TV boicotam a cobertura de Donald Trump depois que a CNN foi impedida de acessar um evento oficial do presidente em Nova York.
- A proibição levou a outras emissoras a interromperem sua participação no sistema de revezamento de cobertura presidencial em protesto.
- A polêmica se intensifica em meio a uma ação judicial movida pela CNN, MSNBC e Politico contra Trump pela revogação de credenciais de jornalistas.
A CNN integra o chamado pool de TV ao lado de NBC, ABC, CBS e Fox e informou que foi impedida de cobrir o então presidente na condição de emissora designada. A exclusão aconteceu justamente no dia em que Trump estava em Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU.
Em resposta à medida, as outras quatro emissoras decidiram interromper a participação na cobertura de Trump por meio do sistema de revezamento, solidarizando-se com a CNN e protestando contra a restrição de acesso.
A escalada da tensão entre Trump e a imprensa
A iniciativa de boicote ocorre pouco depois de CNN, MSNBC e Politico anunciarem que vão entrar com uma ação judicial conjunta para manter o direito de acessar as dependências da Casa Branca. Esta ação é uma resposta a uma medida anterior de Trump, que revogou as credenciais dos jornalistas das publicações.
Os veículos de comunicação americanos acionaram a Justiça baseada na Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos para tentar recuperar as credenciais, que consideram essenciais para o exercício da liberdade de imprensa no país.
O pedido de medida de urgência deverá ser analisado por um juiz federal do Tribunal Distrital de Washington e pode resultar em audiências ainda nesta semana. A expectativa é que a decisão judicial estabeleça precedentes importantes para o relacionamento entre o governo e a mídia.
Por que a Casa Branca impôs a proibição?
Em comunicado conjunto, os três veículos envolvidos na ação judicial declararam: “Esta manhã, informamos ao governo que entraríamos com uma ação para proteger nossos direitos garantidos pela Primeira Emenda e defender o princípio de que o governo não decide o que a imprensa noticia ou publica”.
Após a iniciativa judicial e o boicote das emissoras, Donald Trump afirmou em sua plataforma Truth Social que a Casa Branca não está promovendo uma ofensiva contra a imprensa, mas sim contra o que ele classifica como “fake news”.
“A Casa Branca não está lançando um ataque contra a imprensa livre – um valor que prezo muito. Em vez disso, está atacando as “fake news”, um fenômeno que se espalhou como um câncer”, escreveu o então presidente. De acordo com Trump, esse fenômeno constitui “uma ameaça à nossa segurança nacional” e “precisa ser interrompido”.
Reações internacionais à medida
A polêmica em torno da liberdade de imprensa e o acesso de jornalistas à Casa Branca também foi comentada em Moscou. Dmitry Peskov, porta-voz do presidente russo Vladimir Putin, afirmou que jornalistas não são impedidos de acessar o Kremlin, em clara contraposição à situação nos EUA.
“Nós cooperamos com a mídia”, disse Peskov, segundo a agência Tass, ao responder a uma pergunta sobre a exclusão da CNN e de jornalistas de outros veículos da Casa Branca. “Trabalhamos com todos os repórteres; é assim que operamos aqui”, concluiu o porta-voz, sugerindo uma abordagem diferente na Rússia.