Rede pública alemã afirma que autoridades da Venezuela cortaram seu sinal

Rede pública alemã afirma que autoridades da Venezuela cortaram seu sinal

Sede da Deutsche Welle, em Bonn, em 26 de setembro de 2016 - Dpa/AFP/Arquivos

O serviço de radiodifusão alemão Deutsche Welle afirmou neste domingo que as autoridades da Venezuela suspenderam o sinal da emissora, mas se comprometeu a seguir transmitindo seus programas na internet para a audiência do país sul-americano em crise.

“A autoridade de telecomunicações venezuelana Conatel eliminou da rede de cabo o sinal de retransmissão do canal de televisão em espanhol da Deutsche Welle”, afirma a emissora pública alemã em um comunicado.

O diretor geral da Deutsche Welle, Peter Limbourg, pediu às autoridades venezuelanas o restabelecimento do sinal, que era acessado através das operadoras de TV a cabo ou por satélite.

Limbourg afirmou que a emissora continuará transmitindo os programas, em particular os que debatem a situação na Venezuela, nas redes sociais e no canal do Youtube da Deutsche Welle.

“Com certeza, continuaremos fazendo todo o possível para informar nossa audiência e usuários na Venezuela”, declarou.

“Por instruções do Conatel, operadoras de televisão a cabo retiraram do ar o sinal da @dw_espanol, um meio de comunicação internacional que tem dedicado múltiplos espaços a informações que mostram a crise, que é de todas as naturezas, na Venezuela”, alertou o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa da Venezuela (SNTP) no Twitter.

A Alemanha está entre os mais de 50 países que expressaram apoio ao presidente do Parlamento, Juan Guaidó, como presidente interino da Venezuela desde 23 de janeiro.

O presidente Nicolás Maduro acusa Guaidó de ser a face visível de um golpe contra seu governo comandado pelos Estados Unidos.

Jornalistas venezuelanos e estrangeiros denunciaram o assédio ou detenções no país. Há um mês e meio, Jorge Ramos, do canal hispânico americano Univisión, foi retido por algumas horas em Caracas ao lado de outros cinco jornalistas depois que Maduro interrompeu uma entrevista.

O SNTP afirmou na ocasião que foram registradas “ao menos 30 detenções de jornalistas e trabalhadores da imprensa” nos dois primeiros meses de 2019.

Em 22 de fevereiro, os canais NatGeo e Antena 3 foram retirados do ar na Venezuela no momento em que exibiam o show organizado na cidade colombiana Cúcuta, na fronteira, para apoiar a entrada, frustrada, de ajuda humanitária promovido por Guaidó.

Em 2017 o canal CNN em espanhol e as emissoras colombianas Caracol TV e RCN foram retiradas da grade de programação das operadoras de cabo por ordem do governo de Maduro.