Economia

Real tem melhor desempenho do mundo em sessão de retomada de apetite global por risco

Real tem melhor desempenho do mundo em sessão de retomada de apetite global por risco

Notas de dólar

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar fechou em forte queda nesta sexta-feira e tomou distância dos 5,10 reais, conforme investidores realizaram lucros ao fim de uma semana de grande instabilidade nos mercados globais. A moeda brasileira teve o melhor desempenho do mundo nesta sessão.


O declínio do dólar foi tamanho que não apenas zerou seus ganhos semanais como levou a cotação a acumular leve baixa no período, que, assim, encerra uma sequência de três semanas de valorização.

O dólar à vista caiu 1,65% nesta sexta, a 5,0578 reais, após variar entre 5,1503 reais (+0,15%) e 5,0462 reais (-1,87%). O patamar de fechamento é o menor desde o último dia 5 (5,0166 reais).

Na semana, o dólar acabou caindo 0,31% –até a quinta-feira tinha alta de 1,36%. Em maio, reduziu os ganhos para 2,31% e ainda recua 9,25% no acumulado do ano.

Dados da B3 mostram que, no mês, fundos locais e investidores estrangeiros têm atuado na ponta compradora de dólar, enquanto empresas financeiras (como bancos) fazem a contraparte.

“O mercado realizou bem hoje, foi uma realização de lucros com as notícias de reabertura parcial na China (dos lockdowns contra a Covid-19) e as falas do Powell”, disse Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora. “Ainda vejo a taxa de 5,20 reais como um ponto mais central, que atrai o dólar. Não dá para pôr a mão no fogo por causa da melhora de hoje”, ponderou.

O mercado girou ao longo da semana em torno dos riscos de aperto mais forte da política monetária dos EUA e também dos efeitos sobre cadeias de produção decorrentes de novos fechamentos de negócios na segunda maior economia do mundo para conter surtos de coronavírus.

A inflação global em alta –nos EUA a maior em 40 anos e na zona do euro em patamar recorde– é muito associada a impactos oriundos ainda da quebra nas cadeias de suprimento causadas pelos bloqueios nas economias globais iniciados em 2020 para conter a pandemia.

Rumores de que a China, em meio a dados fracos, poderia flexibilizar a política monetária também contribuíram para a correção nos preços de ativos de risco no mundo, movimento que se espraiou para o mercado doméstico de câmbio. A isso somaram-se falas do chair do Fed, Jerome Powell, reiterando altas de 0,50 ponto percentual nos juros –sinalizando, portanto, que o ritmo de restrição monetária não será intensificado, como temem operadores.

Mais uma vez um rali em Wall Street –o índice Nasdaq saltou 3,8%– ajudou a melhorar o humor do mercado no Brasil. Uma medida do “medo” do investidor norte-americano despencou mais de 8% em dia de forte queda do dólar por aqui.

Num indicativo de quão juntos têm andado os preços do dólar e o clima no mercado de ações em Nova York, a correlação de um mês entre a taxa de câmbio dólar/real e o índice de volatilidade VIX alcançou o maior patamar desde julho de 2016, de 0,82. O número é positivo uma vez que, se o VIX sobe, o dólar tende a se elevar também. Quanto mais próximo de +1, mais positivamente correlatos são os preços de dois ativos.

O real terminou a semana com o segundo melhor desempenho em uma lista que conta ainda com as moedas de Chile, México, África do Sul, Turquia, Peru e Colômbia. O sol peruano liderou os ganhos ao subir 0,8%, enquanto a lira turca ficou na outra ponta com queda superior a 3%.

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