Morre em Haia o general Ratko Mladic, conhecido como o “carniceiro da Bósnia” e condenado à prisão perpétua por genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade na Bósnia e Herzegovina. O militar, que tinha entre 83 e 85 anos, com sua data de nascimento incerta, morreu nesta quinta-feira (27) após sofrer diversas paradas cardíacas nos últimos meses.
- Ratko Mladic, o “carniceiro da Bósnia”, morreu nesta quinta-feira (27) em Haia, aos 83 ou 85 anos.
- O ex-comandante sérvio-bósnio cumpria prisão perpétua por genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade, incluindo o massacre de Srebrenica.
- Pedidos de libertação por motivos de saúde feitos pela Sérvia e pela família foram reiteradamente negados pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).
Apelidado de “carniceiro da Bósnia” por seu papel no pior massacre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, em Srebrenica, Mladic estava detido em um hospital psiquiátrico em Haia. Ele sofreu diversas paradas cardíacas nos últimos meses.
O governo da Sérvia, onde ele ainda é tratado por muitos como herói, e a família chegaram a pedir sua libertação por motivos de saúde. No entanto, os pedidos sempre foram negados pelo TPI, que alegava que o general recebia os tratamentos paliativos necessários.
Os crimes do “Carniceiro da Bósnia”
Em julho de 1995, as forças sérvio-bósnias comandadas por Mladic executaram mais de 8 mil homens e meninos bosníacos (como são chamados os muçulmanos da Bósnia) que haviam buscado refúgio na pequena cidade de Srebrenica, então sob a proteção de tropas holandesas da Organização das Nações Unidas (ONU).
No comando das forças sérvio-bósnias, Mladic também supervisionou o brutal cerco a Sarajevo, entre 1992 e 1995. Durante o período, milhares de homens, mulheres e crianças foram assassinados por franco-atiradores escondidos nas montanhas ao redor da cidade, muitos deles dentro de suas próprias casas.
Qual a condenação do TPI a Mladic?
Mladic alegava que era seu “destino” defender o povo sérvio contra a influência do Ocidente e foi condenado à prisão perpétua pelo TPI em 2017. Em 2021, a condenação foi confirmada em última instância.
Segundo o tribunal, o massacre de Srebrenica foi orquestrado pelo general e por seu alter ego político, Radovan Karadzic, então líder político dos sérvio-bósnios, que cumpre pena de 40 anos de prisão.
Reações e o legado controverso
“Morreu o general sérvio Ratko Mladic, comandante eterno do Exército da República Srpska [República Sérvia, uma das duas entidades políticas que formam a Bósnia e Herzegovina]”, escreveu o jornal “Politika”, um dos principais diários de Belgrado.
“O ex-comandante do Estado-Maior faleceu em Haia, longe de sua pátria, da família e do povo ao qual dedicou sua vida militar”, acrescentou o periódico.
Da IstoÉ com ANSA