Raquel Lyra (PSD) foi reeleita governadora de Pernambuco neste domingo (4), após uma disputa acirrada contra João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife.
A vitória garante à governadora mais quatro anos à frente do Palácio do Campo das Princesas. Raquel iniciou seu primeiro mandato em janeiro de 2023 e permanecerá no comando do Executivo pernambucano até o fim de 2030.
A disputa entre os dois candidatos foi uma das mais competitivas das eleições estaduais deste ano e chegou à reta final sem uma vantagem clara.
Na véspera da votação, pesquisa Datafolha mostrava Raquel com 49% dos votos válidos e João Campos com 48%. A diferença estava dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
O cenário representava uma mudança significativa em relação ao início do ano. Em fevereiro, levantamento do mesmo instituto mostrava João Campos com 47% das intenções de voto, contra 35% de Raquel.
Ao longo dos meses seguintes, a governadora reduziu a diferença e passou a aparecer numericamente à frente em algumas pesquisas. Em levantamento Quaest divulgado cinco dias antes da eleição, os dois estavam empatados com 42%.
Disputa colocou frente a frente dois grupos tradicionais
A eleição pernambucana colocou frente a frente dois nomes com trajetórias políticas distintas, mas ligados a famílias com longa presença na política estadual.
Raquel Lyra, de 47 anos, é filha do ex-governador João Lyra Neto. Antes de chegar ao governo estadual, foi deputada estadual por dois mandatos e prefeita de Caruaru, no Agreste pernambucano.
Ela venceu sua primeira eleição para o governo em 2022, quando derrotou Marília Arraes no segundo turno.
Durante o atual mandato, Raquel deixou o PSDB e ingressou no PSD. Na eleição deste ano, disputou a reeleição pela coligação Pernambuco de Coração, que reuniu PSD, Podemos, Avante, União Brasil, PP e a federação formada por PSDB e Cidadania, entre outras siglas.
A vice-governadora Priscila Krause também integrou novamente a chapa.
João Campos deixou Prefeitura do Recife para disputar governo
João Campos, de 32 anos, deixou a Prefeitura do Recife para concorrer ao governo estadual.
Filho do ex-governador Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo durante a campanha presidencial de 2014, e bisneto de Miguel Arraes, João iniciou sua trajetória eleitoral em 2018, quando foi eleito deputado federal.
Dois anos depois, conquistou a Prefeitura do Recife. Em 2024, foi reeleito prefeito ainda no primeiro turno, com ampla votação.
Para disputar o governo estadual em 2026, deixou o comando da capital pernambucana e teve como vice Carlos Costa. Sua coligação reuniu PSB, MDB, PDT, Republicanos e a federação formada por PT, PCdoB e PV, entre outras legendas.
A candidatura recebeu o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que participou de atos eleitorais ao lado de Campos durante a campanha.
Campanha teve embates e disputas judiciais
A corrida pelo governo pernambucano também foi marcada por embates entre as duas principais campanhas e por disputas na Justiça Eleitoral.
Raquel e João chegaram à eleição separados por poucos pontos nas principais pesquisas e concentraram a maior parte das intenções de voto durante a campanha.
Os levantamentos mostraram ainda uma mudança importante ao longo de 2026. João iniciou o ano com vantagem sobre a governadora, mas Raquel recuperou terreno nos meses seguintes e chegou à reta final em empate técnico com o adversário.
A avaliação do governo também esteve no centro da disputa. Pesquisa Quaest divulgada em setembro apontava aprovação de 61% da administração de Raquel Lyra e desaprovação de 27%.
Com a reeleição, Raquel Lyra iniciará o segundo mandato consecutivo como governadora de Pernambuco em janeiro de 2027.
Da IstoÉ