Raça de Víboras

Nas últimas décadas, ganhou força no Brasil um evangelismo mais agressivo, competitivo e pouco ortodoxo. Pessoalmente, acompanhei de perto a explosão de fenômenos como o da música gospel, dos produtos gospel e dos negócios gospel. Vi novas franquias de templos, estilos e denominações pulularem no mercado da fé. Conheci padres e pastores que se tornaram artistas, cantores, influenciadores e até ricos! Mudaram os religiosos. Mudou a religião. Sabe aquela história do camelo que não passa pela agulha e do rico que não entra no céu? C’est démodé, irmãos! Agora, para além da salvação da alma, o cristão quer mais é ter dinheiro e ser famoso. Então, também vi Deus ser transformado em coach do sucesso.

Constrangida, presenciei o milagre da multiplicação de políticos cristãos, graças ao uso de púlpitos como palanques eleitorais. Os homens de fé, que nada tinham a ver com as coisas do mundo, finalmente se renderam à tentação do poder. Quando religião e política se dão as mãos, tudo é possível — com jeitinho e um por fora. Na contabilidade, misturaram o que era de César com o que era de Deus, e ninguém é mais de ninguém!

Mas, ouvi dizer que um certo Deus não anda nada satisfeito com o tipo de cristão que diz lhe representar.

Com a fé como autopropaganda e o falso moralismo como adereço barato, escaparam, dos nove círculos do inferno, os novos fariseus, chamados “cidadãos de bem”, com aspas e tudo.

Intérpretes da mente divina, eles dizem ter a primazia da virtude e se acreditam um povo santo e ungido para salvar a humanidade do pecado, da corrupção, dos comunistas e do Supremo Tribunal Federal.

Nas mãos de oportunistas da fé, a política não vira só negócio, mas também Guerra Santa. Deveriam saber que a luta de Jesus não é contra carne nem sangue, mas não estou falando dos fiéis fidedignos.

Além de falsos messias, o Brasil está cheio de falsos cristãos. Gente que come hóstia de dia e cospe indignidades à noite

Além de falsos messias, o Brasil está cheio de falsos cristãos. Gente hipócrita que come a hóstia de dia e cospe indignidades nas redes à noite. Charlatões que dizem limpar a alma nas águas do batismo, mas sujam as mãos na vala da corrupção.

Nesses últimos anos, vi líderes religiosos pregarem o ódio sem pudor, vi mães e pais “de família” revelarem o seu lado mais promíscuo, vi os “bons” desejarem o mal, a ruína e a morte de outros, vi políticos falarem em Deus e agirem como o diabo.

Uma das grandes revoluções do cristianismo é o nascimento do Deus-amor, na passagem do tempo da Lei para o tempo da graça, quando um Jeová justiceiro e implacável evolui para uma divindade de amor e perdão, padroeira de toda a humanidade.

Raça de víboras! Que trecho do “amai-vos uns aos outros” vocês não entenderam?


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