O Quilombo dos Palmares, antigo refúgio dos povos escravizados no século XVII no Brasil, é hoje um dos patrimônios culturais internacionais mais procurado pelos turistas. Localizado na Serra da Barriga, em União dos Palmares, Alagoas, o lugar já recebeu 13 mil visitantes de 16 países somente neste ano. As informações são do G1.
Por causa das comemorações do Dia Nacional da Conscientização Negra, neste sábado (20), a expectativa é que a região receba cerca de 10 mil pessoas para acompanhar as apresentações culturais, religiosas e artísticas.
“De agora até abril o fluxo de visitas aumenta muito. Isso está associado à alta temporada do Estado de Alagoas. No domingo passado nós tivemos 800 pessoas visitando o parque para participar do Pôr do Sol na Serra, um projeto cultural com a apresentação de artistas locais e com uma belíssima vista”, disse Izabel Gomes, secretária municipal de Turismo de União dos Palmares.
Uma das explicações para o aumento das visitas ao Quilombo se dá pelo processo de tombamento e as pesquisas feitas sobre as resistências negras.
“O Quilombo dos Palmares é estudado em todo o mundo, recentemente um pesquisador alemão esteve em Alagoas pesquisando sobre o tema para sua tese de doutorado. Outro ponto importante foi o tombamento da Serra da Barriga pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, na década de 1980 e, mais recentemente, pelo Mercosul”, explica Danilo Luiz Marques, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e diretor do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi).
Os aspectos atuais também contribuem para isso, como a morte do americano George Floyd e os protestos que acenderam um debate mundial sobre o viés pelo qual a história é contada.
“No Brasil, isso refletiu com os questionamentos sobre os bandeirantes, sobre a figura do Borba Gato, no estado de São Paulo, e de Domingos Jorge Velho, em Alagoas. Isso ainda é somado ao protagonismo negro dentro de espaços importantes do mercado de trabalho, com a presença de profissionais negros ascendendo a cargos importantes e apontando para alguns destinos que contrapõem essas narrativas”, finaliza Danilo.