Querem cancelar Sergio Moro

Querem cancelar Sergio Moro

Ministro da Justiça Sergio Moro em foto de 23 de novembro de 2018 no Rio de Janeiro - AFP/Arquivos

Aprendi com minha filha adolescente o que significa o termo “cancelado”, tão em voga ultimamente, e objeto de diversas matérias na imprensa sobre uma tal “cultura do cancelamento”.

+ SP deve receber cinco milhões de doses de vacina chinesa em outubro, diz Doria

Para quem não sabe, resumidamente é o seguinte: cancelado é quem foi alijado, defenestrado, expulso, expurgado como influenciador de alguma rede social por, digamos, comportamento inadequado. Sob julgamento de quem? Do distinto público, ora. Ou seja, bobeou, dançou. Do dia para a noite, a depender da besteira que disse ou escreveu, o infeliz cancelado torna-se um reles Zé Ninguém.

Do mundo virtual para o mundo real, o mundo-cão da política, estamos assistindo a uma verdadeira caçada – ou seria cassada? – ao ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça Sergio Moro. Querem porque querem “cancelar” um dos poucos sinônimos de Homem público, com H maiúsculo, do Brasil. O motivo? Bem, basta observar quem são os caçadores/cassadores.

De um lado, o ex-advogado do PT, ex-assessor de José Dirceu, ex-AGU de Lula, ex-duplamente reprovado em concurso para juiz de primeiro grau e atual presidente do STF, Dias Toffoli. De outro, Rodrigo Maia, também conhecido como Botafogo nas planilhas de propina da Odebrecht. No meio, deputados de esquerda e do Centrão, e aqueles sempre enrolados com a Justiça. Tudo sob o olhar conivente, e conveniente, de Jair Bolsonaro e sua base.

Essa turma pretende aprovar uma lei que impõe uma quarentena de oito anos para que ex-juízes e ex-membros do Ministério Público possam disputar eleições. Sim, oito anos! O mesmo prazo de inelegibilidade de criminosos condenados, como os próprios Lula e Zé Dirceu, padrinhos políticos de Dias Toffoli.

Por que isso agora? Simples. Sergio Moro é um dos poucos nomes que fazem frente a uma possível polarização entre petismo e bolsonarismo, em 2022, além de ser o principal adversário de Jair Bolsonaro, segundo todas as pesquisas atuais de opinião. Cancelando Moro, a turma do tal “establishment” assegura a danosa dualidade que nos presenteou Jair Bolsonaro e, consequentemente, a manutenção do poder (leia-se: dinheiro).

Rodrigo Maia, o todo-poderoso presidente da Câmara, justificou: “uma função de Estado não pode servir como trampolim eleitoral”. Bingo! Tô de acordo com o ilibado presida. Devemos começar proibindo qualquer tipo de reeleição, afinal o que faz um político eleito senão usar seu cargo visando um novo mandato?

E o que dizer de policiais militares, socorristas do SAMU, médicos e enfermeiros de postos de saúde e tantos outros servidores públicos que, pelo bom trabalho realizado, ganham respeito e notoriedade em suas cidades? Também serão equiparados a fichas-suja e inelegíveis? Ou melhor, sem direitos políticos plenos? Ministros de Estado, como outro exemplo, também estariam sob a mesma regra?

É de tal sorte oportunista e desavergonhada essa lei, que sequer deveria ser debatida. O pior é que, votada e aprovada, o que é bem provável diante de um Congresso com mais de ⅓ de seus membros, réus em processos judiciais, não duvido que seja ratificada, ou seja, considerada constitucional pelo STF. Afinal, inimigos declarados de Sergio Moro e da Lava Jato não faltam na Suprema Corte.

Como bem disse Capitão Nascimento, no filme Tropa de Elite: “O sistema é muito maior do que eu pensava. O sistema é foda.” Como discordar do capita, não é mesmo?

Veja também

+ Baleia jubarte consegue escapar de rio cheio de crocodilos na Austrália

+ MasterChef: mesmo desempregado, campeão decide doar prêmio

+ Morre mãe de Toni Garrido: “Descanse, minha rainha Tereza”

+ Após morte de cachorro, Gabriela Pugliesi adota nova cadela

+ Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago

+ 12 razões que podem fazer você menstruar duas vezes no mês

+ Arqueólogo leva 36 anos para montar maquete precisa da Roma Antiga

+ Após cogitar ficar longe da TV, Edu Guedes estreia na Band e ‘rouba’ horario de Mariana Godoy

+ Uma moto 0km, desde 1977 na caixa, vai a leilão e valor pode chegar a mais de R$ 190mil

+ Kit transforma BMW R nineT em réplica de moto dos anos 1930

+ Senado aprova alterações no Código de Trânsito Brasileiro

+ Por que não consigo emagrecer? 7 possíveis razões

+ O que é pior para o seu corpo: açúcar ou sal?

+As 10 picapes diesel mais econômicas do Brasil

+ Cozinheira desiste do Top Chef no 3º episódio e choca jurados

+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?

+ Educar é mais importante do que colecionar

+ Pragas, pestes, epidemias e pandemias na arte contemporânea


Mais posts

Ver mais

Copyright © 2020 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.