Quem tem medo do Covid-19?

Stendhal falava que o medo nunca está no perigo, mas sim em nós. Esta epidemia de Covid-19, o novo coronavírus, é a prova disso. Basta saber contar e estender a estatística. É tudo tão óbvio que dispensa qualquer teoria da conspiração.

Veja bem, o atual surto de coronavírus foi detectado em meados de dezembro numa cidade chinesa com o mesmo número de habitantes do Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, somado — mais ou menos 11 milhões de pessoas.

Da última vez que olhei havia 94 mil casos a nível mundial e desse total, 80 mil ocorreram na China. Se considerarmos que a esmagadora maioria foi registrada em Wuhan, concluímos que incidência da doença na cidade epicentro do surto é inferior a 1%, 0,7% para ser preciso. Se ainda considerarmos que a população total da China ronda os 1,43 bilhões de habitantes, chegamos à conclusão que menos de 0.00006% da população chinesa está infectada com o coronavírus. Isto em três meses de surto.

No que diz respeito a mortes, a Organização Mundial de Saúde (OMS) informa que na faixa mais vulnerável da população — as pessoas com idade superior a 80 anos — a taxa de mortalidade é de 14,8%. Significa isto que um respeitável idoso de 85 anos, que resida em Wuhan, tem uma chance de 0,7% de contaminação e uma probabilidade de 14,8% de morrer disso. Tudo somado, esse coroa azarado tem uma possibilidade global de 0,1% de morrer da doença!

Nas restantes faixas etárias, a taxa de mortalidade é ainda mais reduzida. Em alguém com idade compreendida entre os 30 e os 39 anos de idade, a taxa de mortalidade é de 0,2%. Repetindo aritméticas, uma jovem de 35 anos que viva em Wuhan tem uma probabilidade de 0,7% de se infectar e, infectando-se, a chance de morrer via coronavírus é de 0,2%. A probabilidade global de falecimento é de 0.000000001%.

Como estes cálculos estão feitos no “pior cenário possível”, ou seja, na cidade-epicentro do surto, se exportarmos a matemática para a Itália, país com mais de 60 milhões de habitantes e apenas 2500 casos registados (números da quarta feira passada), concluímos que a probabilidade de um cidadão italiano morrer por coronavírus é infinitesimal. No Brasil então nem se fala!

Não há razão alguma para alarmismos. Esta nova estirpe de vírus é real, mas não ao ponto de nos prepararmos para um cenário pós-apocalíptico. Mais do que incutir o “fearmongering” (culto do medo) aquilo que as mídias e os políticos devem fazer é explicar à população quais as medidas – bem simples — para limitar a transmissão do vírus.

Não há razão alguma para alarmismos. Essa nova estirpe de vírus é real, mas não ao ponto de nos prepararmos para um cenário pós-apocalíptico.


Sobre o autor

José Manuel Diogo é autor, colunista, empreendedor e key note speaker; especialista internacional em media intelligence,  gestão de informações, comunicação estratégica e lobby. Diretor do Global Media Group e membro do Observatório Político Português e da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira. Colunista regular na imprensa portuguesa há mais de 15 anos, mantém coluna no Jornal de Notícias e no Diário de Coimbra. É ainda autor do blog espumadosdias.com. Pai de dois filhos, vive sempre com um pé em cada lado do oceano Atlântico, entre São Paulo e Lisboa, Luanda, Londres e Amsterdã.


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