Retrospectiva 2018

Quem matou Marielle?

As autoridades da área da segurança pública do Rio de Janeiro muito prometeram mas não apresentaram, até meados de novembro, uma resposta concreta sobre as execuções da vereadora e defensora dos direitos humanos Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes. Como o crime aconteceu na noite de 14 de março e até agora reina a impunidade, é muito provável que iniciemos 2019 sem resposta para a pergunta que vai no título — e esse será um dos grandes desafios colocados a Sergio Moro em uma das áreas sob o guarda-chuva do seu super-ministério, a da Segurança. A polícia civil demorou oito meses para exibir um simples retrato falado que seria do criminoso. E insistiu em que as investigações iam muito bem, mas que não se podia dar informações para “não prejudicar o seu andamento”. Toda vez que quem investiga fala isso, é porque não tem mais de um par de sete nas mãos. A Polícia Federal entrou na história, mas com a finalidade de averiguar se alguém está atrapalhando as investigações. Essa é a prova maior de que as coisas podem estar caminhando para a impunidade. O ex-PM Orlando Araújo foi preso e declarou ao MP que a polícia o constragia para assumir o crime. Em dezembro, diversos milicianos foram detidos, acusados também de envolvimento com o crime.

Intervenção no Rio de Janeiro

MEDO: Michel Temer colocou o Exército nas ruelas e becos dos morros do Rio de Janeiro: ação improdutiva (Crédito:WILTON JUNIOR/ESTADÃO )

Termina no último dia do ano a validade do decreto de Michel Temer impondo a intervenção militar no Rio de Janeiro — ele foi assinado em 16 de fevereiro. Qual o resultado positivo? Aquele que todo o Brasil sabia: nenhum. Quais os resultados negativos? Vamos a eles. O general Eduado Villas Bôas, comandante do Exército, repetiu inúmeras vezes que as Forças Armadas não possuem treinamento para enfrentar bandidos. Temer não o escutou. E o que se temia ocorreu: aumentou sensivelmente a frequência de tiroteios e continuou alto o números de crianças mortas pelas chamadas balas perdidas. Seis soldados do Exército foram mortos por traficantes (e não se viu um único grupo de direitos humanos lamentando o fato). Alguns recrutas se bandearam para o lado dos delinquentes. Espera-se que o Brasil tenha aprendido definitvamente: a função constitucional das Forças armadas não é subir e descer morro atrás de bandido.