Aos 25 anos, o advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, afirmou ter conquistado mais de 500 clientes e atuado em ao menos mil processos no primeiro ano de carreira. Entretanto, Kevin tem apenas 1 ano de atuação, de acordo com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). As informações foram publicadas pelo jornal Estado de S. Paulo.
As informações constam no site do advogado, que foi retirado do ar após a publicação da reportagem. Kevin foi aprovado no exame da OAB em fevereiro de 2024 e abriu o escritório em agosto do mesmo ano. O endereço de Kevin Marques funciona em um imóvel no Lago Sul, área de alto padrão em Brasília, no mesmo local do escritório da tia, a advogada Karine Nunes Marques. Segundo a família, a divisão do espaço é uma prática comum e legal, apesar de as bancas serem independentes.
O advogado também passou a atuar em processos no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), onde figura em ao menos dez ações públicas.

Ministro Nunes Marques é pai de Kevin Nunes Marques
Um dos clientes listados seria a Consult Inteligência Tributária, que pagou R$ 281,6 mil ao advogado entre 2024 e 2025 por serviços relacionados ao contencioso administrativo fiscal. Os repasses, feitos em 11 transferências, foram identificados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em relatório sobre movimentações consideradas atípicas envolvendo o Banco Master. A consultoria, por sua vez, recebeu no mesmo período R$ 6,6 milhões do banco e outros R$ 11,3 milhões da JBS, controlada pela holding J&F. Em nota ao Estadão, a defesa de Kevin afirmou que ele nunca recebeu recursos diretamente dessas empresas e que a relação é indireta, por meio da consultoria.
À época dos repasses, o ministro Nunes Marques relatava no STF um dos principais litígios empresariais recentes, envolvendo a J&F e a Paper Excellence, na disputa pelo controle da Eldorado Celulose. O caso foi encerrado em maio de 2025 após acordo que garantiu o controle da empresa à J&F.
Procurado, o gabinete do ministro afirmou que o processo foi encerrado por decisão das partes. Já a JBS declarou que contrata consultorias para lidar com a complexidade do sistema tributário brasileiro. A defesa de Kevin afirmou ainda que as informações divulgadas representam tentativa de criminalizar o exercício da advocacia e negou qualquer atuação do advogado no STF ou no Tribunal Superior Eleitoral.