Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, principal líder do Comando Vermelho (CV), conseguiu escapar da Operação Contenção, realizada na última terça-feira, 28, nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro. O Disque Denúncia oferece R$ 100 mil por informações que levem à sua prisão.
Durante a Operação Contenção, considerada a mais letal da história do país, Doca era um dos principais alvos. Segundo o secretário de Segurança Pública do Rio, Victor Santos, o criminoso utilizou “soldados” do tráfico para formar uma barreira e garantir sua fuga. “É uma estratégia que eles fazem. Ele bota os soldados como mais uma barreira para dificultar a prisão”, afirmou o secretário em entrevista à Globonews.
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Quem é Doca
De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), Doca é a principal liderança do Comando Vermelho no Complexo da Penha e em outras comunidades da zona oeste do Rio, como Gardênia Azul, César Maia e Juramento. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ) denunciou Doca e outras 66 pessoas pelo crime de associação para o tráfico. Três deles também foram denunciados por tortura.
Apontado pela polícia como o responsável por ordenar a execução de André Lyra de Oliveira, o “Lápis”, em setembro de 2021, Doca é considerado um dos criminosos mais poderosos do Rio. A vítima foi morta a tiros na comunidade do Quitungo, em Brás de Pina, na zona norte da cidade. Ele é investigado por mais de 100 homicídios, incluindo execuções de crianças e desaparecimentos de moradores. De acordo com o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), o traficante tem 34 mandados de prisão em aberto. Ele é investigado por mais de 100 homicídios, incluindo execuções de crianças e desaparecimentos de moradores.
De acordo com as investigações, as ordens para o crime partiram do próprio Doca, que ocupa posição logo abaixo de Marcinho VP e Fernandinho Beira-Mar, na hierarquia do Comando Vermelho, ambos atualmente presos em penitenciárias federais.
Doca também apontado como o mandante da execução de três médicos na zona sudoeste do Rio em outubro de 2023. As vítimas foram mortas por engano porque um deles foi confundido com o verdadeiro alvo dos criminosos.
Em maio deste ano, o MPRJ denunciou Doca, e outros dois criminosos pelo ataque a uma delegacia em Duque de Caxias. Segundo as investigações, o criminoso teria ordenado a invasão à unidade, no dia 15 de fevereiro de 2025. Eles respondem por tentativa de homicídio qualificado, dano qualificado, tortura e associação para o tráfico.
Os criminosos tentavam resgatar Rodolfo Manhães Viana, o Rato, preso horas antes da invasão por tráfico e associação para o tráfico, na Comunidade Vai Quem Quer. Armados com fuzis e granadas, os criminosos invadiram a delegacia, feriram dois agentes e torturaram um deles em busca de informações sobre o paradeiro de Rato, que já havia sido transferido para a Polinter, na Cidade da Polícia.
* Com informações do Estadão Conteúdo