Quem é Carlos Nobre, especialista em aquecimento global e nomeado conselheiro do papa Leão XIV

Carlos Afonso Nobre, 75 anos, é o único brasileiro entre os 11 conselheiros nomeados pelo papa Leão XIV nesta segunda-feira, 30. Segundo o Vaticano, o climatologista passará a integrar o Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, departamento da Cúria responsável por temas como dignidade humana, justiça, paz, direitos humanos e cuidado com a criação.

De acordo com o Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA), Nobre é engenheiro eletrônico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e um climatologista brasileiro conhecido mundialmente. Nascido em São Paulo, fez doutorado em Meteorologia no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e retornou ao Brasil em 1981.

Em 1994, ajudou a criar o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Conforme a pasta, o centro monitora riscos de deslizamentos de terra em diferentes regiões, além de produzir prognósticos de incêndios florestais na Amazônia e alertas sobre possíveis frustrações de safras agrícolas de subsistência em municípios do semiárido nordestino.

O trabalho do cientista foi reconhecido em 2007, quando recebeu o Prêmio Nobel da Paz ao lado do ex-vice-presidente americano Al Gore e de pesquisadores do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU. O grupo foi premiado pelo papel de alertar a comunidade internacional sobre os riscos do aquecimento global e pela defesa da preservação ambiental.

Crítico do desmatamento na Amazônia, Nobre tem defendido a redução da intervenção humana na floresta, especialmente diante do avanço das queimadas. “Se continuarmos a perturbar a natureza desse jeito, vamos ver mais epidemias e pandemias. No ano passado, a região da Amazônia já viu epidemias da febre mayaro e da febre oropouche”, afirmou Nobre ao Estadão/Broadcast no final de 2025.

Na ocasião, o cientista também destacou a oportunidade que o Brasil tem em restauração florestal. Ele citou a existência de iniciativas públicas e privadas nessa área e apontou a importância da participação das empresas. “O setor privado tem que acelerar os projetos de restauração florestal”, disse.

Nobre também defendeu a ampliação do financiamento para adaptação às mudanças climáticas, tema relacionado ao conceito de justiça climática. “O tema da justiça climática é de total urgência. Temos mais de 2 bilhões de pessoas muito vulneráveis a todos esses eventos extremos que já estão acontecendo. Elas não estão preparadas para esses eventos extremos. Então, é preciso um megainvestimento em adaptação, é preciso retirar essas pessoas das áreas de risco. No Brasil, são milhões de pessoas”, apontou.

Atualmente, Nobre é cientista sênior da Universidade de São Paulo (USP) e também o primeiro representante do Brasil no grupo Planetary Guardians, voltado a estudos climáticos e à proteção de comunidades vulneráveis.