Quem é Adilsinho, bicheiro que foi preso nesta quinta no Rio de Janeiro

Bicheiro era um dos foragidos mais procurados do estado

Reprodução / Foto: Polícia Federal
Foto: Reprodução / Foto: Polícia Federal

Adilson Oliveira Coutinho Filho, mais conhecido como Adilsinho, foi preso nesta quinta-feira, 26, em uma mansão em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Um dos foragidos mais procurado do Brasil, o bicheiro é investigado por dezenas de homicídios.

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Segundo a Polícia Civil, mortes de rivais no mundo do crime, integrantes da própria quadrilha e até mesmo policiais constam na lista de vítimas do bicheiro. A morte de um advogado, em fevereiro de 2024 — assassinado em frente à sede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), próximo ao Ministério Público — foi um dos homicídios de maior destaque. As autoridades classificaram a ação de Adilsinho como “extremamente ousada”.

Para além do crime, Adilsinho é conhecido por buscar notoriedade na sociedade fluminense. Em 2010, fundou um clube de futebol (Clube Atlético Barra da Tijuca), no qual chegou a atuar como jogador. Em 2024, tornou-se patrono da escola de samba Salgueiro e, durante a pandemia em 2021, realizou uma festa de aniversário luxuosa no Copacabana Palace que custou cerca de R$ 4 milhões – no convite da festa de 51 anos, famosos como Ludmilla, Gusttavo Lima, Alexandre Pires e Mumuzinho foram contratados para cantar no evento.

Expansão no jogo do bicho

Adilsinho controlou grande parte da contravenção no Rio de Janeiro e, recentemente, defendeu a criação de uma “nova cúpula” do jogo do bicho. Ele expandiu seu poder territorial tomando áreas estratégicas da Zona Sul, Centro e Zona Norte do Rio que antes eram dominadas pelo bicheiro rival Bernardo Bello (atualmente foragido), além de controlar parte do esquema em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Monopólio e máfia do cigarro

Adilsinho também viu no cigarro uma oportunidade lucrativa. Investigações da Polícia Federal e do Ministério Público o apontaram como o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados do estado, chefiando um esquema criminoso que já foi alvo de operações como a “Smoke Free” (2022) e “Fumus” (2021).

De acordo com as autoridades, em uma das fábricas clandestinas de cigarros havia a presença de mais de 20 paraguaios, submetidos a condições de trabalho consideradas análogas à escravidão.

Conduta violenta

O domínio e o respeito exigidos por Adilsinho sempre foram impostos pela força física. A polícia o aponta como chefe de uma quadrilha (que possui participação de agentes policiais) suspeita de oito homicídios no Rio e no Maranhão. Entre as vítimas está o seu rival Marco Antônio Figueiredo Martins, o “Marquinho Catiri”. Em diálogos interceptados, comparsas destacam o poder de Adilsinho dentro da “máfia”, afirmando em tom de aprovação que ele assumiu o controle “matando os bicheiro todinhos”.

Em dezembro de 2025, a DHC (Delegacia de Homicídios da Capital) indiciou Adilson sob suspeita de ser um dos mandantes dos homicídios de  “Marquinho Catiri” e de Alexsandro José da Silva, o “Sandrinho”, por disputa na exploração de jogos de azar. Na época, o setor de inteligência da polícia apontou que Adilsinho estaria fora do País.

Os crimes aconteceram em novembro de 2022, na comunidade do Guarda, em Del Castilho, Zona Norte do Rio. As vítimas estavam associadas ao contraventor Bernardo Bello, acusado de comandar um esquema de exploração de jogo do bicho e caça-níqueis no Centro da cidade e em bairros das zonas Norte e Sul do Rio de Janeiro. Com os assassinatos, o grupo de Bello teria perdido os pontos para Adilsinho, que teria assumido a exploração dos jogos nas regiões citadas.