Mundo

Queda do Muro de Berlim completa 30 anos

ROMA, 8 NOV (ANSA) – No dia 9 de novembro de 1989, o mundo mudava: caía o Muro de Berlim, um dos principais símbolos da Guerra Fria. Construído em 1961 pelo regime da República Democrática Alemã (RDA), o muro dividia Berlim Ocidental de Berlim Oriental, rachadas pelo comunismo e pelo capitalismo. Um muro de 155 quilômetros de concreto e arame farpado era a fronteira que separava famílias, amigos e sonhos. Na Berlim Ocidental, as pessoas podiam viajar para qualquer lugar sem nenhum impedimento. Mas, na Oriental, as restrições de locomoção e liberdade individual vigoravam. Foi um anúncio na noite de 9 de novembro que mudou tudo. Em uma coletiva de imprensa, o porta-voz do governo da RDA, Günter Schabowski, recebeu uma pergunta do então correspondente da agência ANSA Riccardo Ehrmann cuja resposta levou à queda do muro.   

“Fomos convocados pela manhã pelo Ministério das Relações Exteriores para uma coletiva de imprensa. Mas não demos tanta importância porque, para aquele regime, todas as coletivas eram importantes”, relembrou Ehrmann.   

O jornalista chegou atrasado à coletiva, que durou cerca de duras horas. “O porta-voz falou das coisas feitas, dos méritos do regime, e também admitiu que talvez tivessem cometidos erros.   

Peguei isso como gancho. Levantei a mão para fazer uma pergunta e disse: ‘senhor Schabowski, vocês falaram de erros. Não acreditam que erraram em apresentar uma nova legislação para as viagens que, na prática, não mudou nada?”, disse o ex-correspondente. Em resposta, Schabowski fez o tão aguardado anúncio de liberdade de trânsito na Alemanha Oriental. “Ele tirou do bolso um folheto e começou a fazer o anúncio que os cidadãos da Alemanha Oriental poderiam viajar livremente sem necessidade de passaporte e visto de entrada e retorno, o que, até aquele momento, era obrigatório”, contou Ehrmann.   

“Aí eu fiz mais duas perguntas: ‘Vale também para a Alemanha Ocidental?’, ‘Sim’, ele respondeu, ‘para todas as fronteiras’.   

‘E a partir de quando?’. O porta-voz contou que aquela informação não estava no folheto, mas, ‘certamente, seria a partir daquele momento'”, relatou o jornalista, que ganhou de presente a cópia do folheto em 2002, do próprio Schabowski.   

Imediatamente, os moradores da Alemanha Oriental saíram às ruas para comemorar a história decisão. (ANSA)