A redução do desmatamento registrada no Brasil contribuiu para diminuir os impactos ambientais dos recentes incêndios florestais na região amazônica, segundo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco.
Durante participação no programa Bom Dia Ministro, do CanalGov, nesta quarta-feira (28), Capobianco afirmou que os avanços no combate à derrubada da vegetação ajudaram a evitar um cenário ainda mais grave diante das queimadas que atingiram áreas do Amazonas e do Pará.
O ministro destacou que a redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, entre julho de 2025 e julho de 2026, representou uma quantidade de emissões de gases de efeito estufa evitadas equivalente, segundo seus cálculos, às emissões anuais do Japão.
Os dados apresentados pelo governo apontam queda de 41,8% no desmatamento da Amazônia e de 23,8% no Cerrado, conforme resultados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento por Satélite (Prodes), divulgados em 16 de outubro.
Desmatamento apresentou redução nos seis biomas brasileiros
De acordo com Capobianco, os resultados do monitoramento indicam diminuição da perda de vegetação nativa em todos os seis biomas do país.
Além da Amazônia e do Cerrado, o ministro citou reduções no Pantanal, na Mata Atlântica, na Caatinga e no Pampa.
Os números da Amazônia e do Cerrado receberam destaque por se tratarem de regiões extensas, com papel importante na conservação da biodiversidade e no equilíbrio climático.
Segundo o ministro, o resultado da Amazônia representa o menor nível de desmatamento desde o início da série histórica oficial, em 1988.
O Prodes utiliza imagens de satélite para acompanhar a supressão de vegetação nativa e produzir estimativas oficiais sobre o desmatamento.
Esses dados são utilizados pelo poder público na elaboração de políticas ambientais, no planejamento de ações de fiscalização e no acompanhamento das metas de conservação.
Redução das emissões é comparada às do Japão
Capobianco também relacionou a queda do desmatamento à redução das emissões de gases de efeito estufa.
Segundo ele, a quantidade de emissões evitadas com a diminuição da derrubada de vegetação na Amazônia e no Cerrado, no período analisado, seria comparável ao volume emitido pelo Japão durante um ano.
A comparação foi apresentada pelo ministro para dimensionar a contribuição do combate ao desmatamento para a política climática brasileira.
A preservação da vegetação contribui para manter o carbono armazenado nas árvores e no solo, evitando parte das emissões associadas à destruição da cobertura florestal.
A redução do desmatamento, entretanto, não elimina os riscos provocados por incêndios, especialmente durante períodos de estiagem e em regiões submetidas a condições climáticas desfavoráveis.
Incêndios atingiram Amazonas e avançaram sobre o Pará
Apesar dos resultados apresentados pelo governo, os incêndios florestais continuam provocando preocupação na região Norte.
Nas últimas semanas, focos de fogo atingiram áreas do Amazonas e avançaram em direção ao oeste do Pará, comprometendo a qualidade do ar e exigindo a mobilização de equipes de combate.
Segundo Capobianco, a atuação conjunta dos governos federal, estaduais e municipais permitiu conter os focos de calor mais críticos no Amazonas.
No Pará, as operações permanecem em andamento.
O ministro informou que 361 grandes incêndios florestais já haviam sido extintos no estado, embora ainda existissem áreas que exigiam monitoramento e atuação das equipes.
A Casa Civil também convocou uma sala de situação específica para acompanhar o cenário paraense e coordenar as medidas necessárias.
As ações envolvem o combate direto às chamas, o monitoramento por satélite e a mobilização de órgãos ambientais e de segurança pública.
Polícia Federal investiga origem das queimadas
As circunstâncias que deram origem aos incêndios estão sendo investigadas por forças de segurança.
Segundo Capobianco, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e órgãos estaduais participam das apurações, que buscam identificar possíveis ações humanas responsáveis pelo início dos focos de fogo.
O ministro afirmou que houve um aumento expressivo dos registros de incêndios após o primeiro turno das eleições presidenciais.
Ele ressaltou, porém, que a eventual relação entre os acontecimentos ainda depende de investigação.
A proximidade entre as datas não permite concluir que os incêndios tenham sido provocados por motivação eleitoral.
Cabe às autoridades responsáveis pelas apurações identificar as causas de cada ocorrência e verificar se houve atuação criminosa.
Onze pessoas foram presas no Amazonas
Durante a entrevista, Capobianco também mencionou a prisão de 11 pessoas no município de Autazes, no Amazonas, em 18 de outubro.
As detenções foram realizadas pela Polícia Militar do estado no contexto das investigações sobre incêndios florestais.
A participação individual dos suspeitos e as circunstâncias dos episódios deverão ser esclarecidas pelas autoridades competentes.
O ministro destacou que provocar incêndios de maneira ilegal pode resultar em responsabilização criminal, com penas que variam conforme a conduta e os dispositivos legais aplicáveis.
Além das sanções penais, danos ambientais podem gerar obrigações de reparação e outras consequências previstas na legislação.
Governo mantém ações de prevenção e fiscalização
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima considera que a redução do desmatamento e o combate aos incêndios são frentes complementares da política ambiental.
Enquanto o monitoramento por satélite permite identificar áreas de perda de vegetação, as operações de fiscalização e combate ao fogo buscam impedir a expansão de danos em regiões vulneráveis.
A atuação conjunta dos órgãos públicos também procura identificar responsáveis por eventuais práticas ilegais e reforçar a prevenção de novos episódios.
Segundo Capobianco, os resultados de redução do desmatamento demonstram a importância da continuidade das ações de conservação.
Ao mesmo tempo, a persistência dos incêndios no Norte do país evidencia os desafios enfrentados pelas autoridades para proteger a vegetação, a biodiversidade e as populações afetadas pela fumaça.
Da IstoÉ