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Queda de ponte em Gênova completa um ano na Itália

Queda de ponte em Gênova completa um ano na Itália

Una moto pasa delante de los restos del puente Morandi de Génova, en Italia, el 13 de agosto de 2019 - AFP

A Itália relembra, nesta quarta-feira (14), o primeiro aniversário da queda da ponte Morandi, em Gênova, que deixou 43 mortos, mas a cerimônia se viu ofuscada pela crise política aberta desde a ruptura da coalizão de governo.

Na zona onde a tragédia aconteceu, realizou-se uma missa, que começou com a leitura dos nomes das 43 vítimas, na presença de centenas de familiares e também de todos os protagonistas da recente crise que afeta o país.

O presidente Sergio Mattarella, o único que tem competência para dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas; o ministro do Interior, Matteo Salvini, que rompeu com seus sócios e pede desde 8 de agosto novas eleições; seu ex-aliado no governo Luigi Di Maio, líder do Movimento 5 Estrelas (M5E, antissistema); e o chefe de governo, Giuseppe Conte, assim como vários ministros, participaram da solenidade.

A missa foi oficiada pelo arcebispo de Gênova, o cardeal Angelo Bagnasco, e houve discursos do prefeito, do chefe de governo e de representantes das famílias das vítimas.

Em 14 de agosto de 2018, às 11h36 (6h36 em Brasília), sob uma intensa chuva, uma parte da ponte Morandi desabou, arrastando veículos e passageiros. Ao todo, morreram 43 pessoas, incluindo quatro crianças.

O nome da ponte remete ao arquiteto que criou o projeto, nos anos 1960.

Neste mesmo horário, fez-s hoje um minuto de silêncio, e os sinos nas igrejas da cidade ressoaram, enquanto se ouviam as sirenes do porto.

A cerimônia foi realizada praticamente debaixo de onde caiu a infraestrutura. A algumas dezenas de metros, uma nova ponte está sendo construída. A expectativa é que esteja concluída até a próxima primavera, segundo as autoridades.

“Espero que esta crise do governo não cause atrasos na conclusão desta importante infraestrutura”, disse à AFP Federico Romeo, prefeito da região da tragédia.

A ruptura entre a Liga e o M5E é um fato, mas as eleições antecipadas reivindicadas por Salvini não estão certas. Uma nova maioria entre o M5E e o Partido Democrata pode se formar a partir de uma série de sessões parlamentares previstas para acontecerem a partir de 20 de agosto.

– Uma nova ponte –

A nova ponte será construída por um consórcio de várias empresas italianas, com base em um projeto de Renzo Piano, o célebre arquiteto genovês, criador, entre outros, do Centro Pompidou de Paris, ou do arranha-céus The Shard, de Londres.

“São três navios que se erguem para o céu e se unem para formar uma estrutura única de mais de um quilômetro de longitude”, explica Piano, nesta quarta, em entrevista publicada no jornal “La Repubblica”.

À espera desta nova ponte, indispensável para cruzar rapidamente esta cidade de mais de 580.000 habitantes, a batalha judicial sobre a estrutura que desabou segue seu curso.

De um lado, está o principal acusado, a empresa Autostrade per l’Italia (ASPI), concessionária do viaduto e propriedade da família Benetton; de outro, as famílias das vítimas e vários políticos (sobretudo do M5E), que consideram que a ponte caiu por falta de manutenção e acusam a ASPI de ter privilegiado seus lucros em detrimento da segurança dos usuários.

Os julgamentos se anunciam complicados: a investigação afeta 71 pessoas, incluindo diretores de empresas do grupo Benetton e autoridades de diferentes governos; mais de 100 advogados; 120 especialistas jurídicos; 75 testemunhas; e toneladas de documentos e de provas físicas.

O caso da ponte foi um dos assuntos que estremeceram as relações entre a Liga e o M5E. Esta última sigla queria encerrar, o quanto antes, todas as concessões nas mãos da ASPI. Recuou, porém, diante das possíveis demandas por indenização que o governo poderia enfrentar, em caso de rompimento de contrato. A Liga, por sua vez, próxima dos círculos industriais do norte, mostrou-se mais prudente.