“Quase todas” as autoridades do Fed apoiaram alta de 0,25 p.p. nos juros na última reunião, mostra ata

"Quase todas" as autoridades do Fed apoiaram alta de 0,25 p.p. nos juros na última reunião, mostra ata

Por Howard Schneider e Michael S. Derby

WASHINGTON (Reuters) – Uma sólida maioria das autoridades do Federal Reserve concordou em sua última reunião de política monetária em diminuir o ritmo de aumentos na taxa básica de juros para 0,25 ponto percentual, mas também concordaram que os riscos de uma inflação elevada continuam sendo um “fator-chave” que molda a política monetária e justifica incrementos contínuos na taxa de referência até que as pressões de preços sejam controladas.

“Quase todos os participantes concordaram que era apropriado elevar a faixa-alvo da taxa básica em 0,25 ponto percentual”, com muitos deles dizendo que isso permitiria ao Fed “determinar melhor a extensão” de movimentos futuros, de acordo com a ata da reunião de 31 de janeiro a 1º de fevereiro do banco central dos Estados Unidos, que foi divulgada nesta quarta-feira.

Mas “os participantes amplamente destacaram que os riscos ascendentes para as perspectivas de inflação continuaram a ser um fator-chave para moldar as perspectivas de política monetária” e que os juros precisariam subir e permanecer elevados “até que a inflação esteja claramente encaminhada para (a meta de) 2%”.

Apenas “alguns” participantes foram totalmente a favor de um ajuste maior de 0,50 ponto percentual na reunião, ou disseram que “poderiam tê-lo apoiado”.

A ata mostrou que o Fed navega em direção a um possível ponto final para seus atuais movimentos de juros, ao mesmo tempo que diminui o ritmo para abordar com mais cautela um possível ponto de parada e deixa em aberto o quanto a taxa básica acabará subindo caso a inflação não desacelere.

Durante um ano em que o Fed teve que disputar uma corrida contra uma taxa de inflação que atingiu máximas em 40 anos, o banco central norte-americano elevou sua taxa básica de juros em oito reuniões, de um ponto inicial próximo a zero em março passado para a atual faixa de 4,50% a 4,75%.

A declaração de política monetária divulgada em 1º de fevereiro disse que “aumentos contínuos” ainda seriam necessários, mas mudou o foco do ritmo dos próximos incrementos de juros para sua “extensão”, um aceno para o fato de que os formuladores de política monetária sentem que podem estar se aproximando de uma faixa de juros que é adequada para fazer progressos contínuos na redução da inflação.

Os dados desde a última reunião mostraram que a economia dos EUA continua a crescer e criar empregos em um ritmo inesperadamente rápido, e fazer progresso menos estável em direção à meta de inflação de 2% do Fed.

A ata mostrou que as autoridades do Fed ainda estão sintonizadas com o risco de que podem ter de fazer mais para manter a inflação em queda, um posicionamento agressivo que pode aparecer com mais precisão quando as autoridades emitirem novas projeções econômicas e sobre a taxa de juros em uma reunião que acontece dentro de quatro semanas.

“Os participantes concordaram que o Comitê (Federal de Mercado Aberto; Fomc, na sigla em inglês) fez progressos significativos ao longo do ano passado em direção a uma postura suficientemente restritiva da política monetária”, disse a ata, descrevendo uma economia que continuou a crescer em meio a um mercado de trabalho apertado.

“Mesmo assim, os participantes concordaram que, embora houvesse sinais de que o efeito cumulativo do aperto da política monetária do Comitê havia começado a moderar as pressões de preços, a inflação permaneceu bem acima da meta de longo prazo do Comitê de 2% e o mercado de trabalho continuou muito apertado.”

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