A violência e o assédio praticados por colonos israelenses na Cisjordânia ocupada provocaram o deslocamento de quase 700 palestinos em janeiro, o maior número desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, informou a ONU nesta quinta-feira (5).
Ao menos 694 palestinos foram obrigados a abandonar suas casas no mês passado, segundo dados do escritório humanitário da ONU, a OCHA.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos afirmou no fim de janeiro que a violência de colonos se tornou uma causa central do deslocamento forçado na Cisjordânia.
Os números particularmente elevados de janeiro se explicam em parte pelo deslocamento de toda a população de Ras Ein al Auja, uma aldeia agrícola no vale do Jordão, cujas 130 famílias deixaram o local após meses de assédio.
Os colonos israelenses na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967, avançam sobre terras agrícolas utilizadas por palestinos e negam progressivamente o acesso a elas, segundo um relatório de 2025 da ONG israelense antiassentamentos Peace Now.
Para forçar a saída dos palestinos, os colonos recorrem ao assédio, à intimidação e à violência, “com o apoio do governo e do Exército israelenses”, segundo a ONG.
“Ninguém pressiona Israel nem as autoridades israelenses para que ponham fim a isso, e os colonos percebem: têm uma sensação de total impunidade”, afirmou Allegra Pacheco, diretora do Consórcio para a Proteção da Cisjordânia, um grupo de ONGs que atua em apoio a palestinos ameaçados de deslocamento.
“Na Cisjordânia, estamos diante de uma limpeza étnica e ninguém presta atenção”, acrescentou.
A ONU considera que a expansão dos assentamentos judeus na Cisjordânia, junto com a violência em curso, é um dos principais obstáculos à resolução do conflito israelense-palestino.
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