Quase 200 detidos em operação transfronteiriça contra extração de ouro na América do Sul

Quase 200 pessoas foram presas em dezembro no âmbito de uma operação transfronteiriça contra a extração ilegal de ouro entre Brasil, Guiana Francesa, Guiana e Suriname, anunciou nesta quinta-feira (22) a organização internacional de coordenação policial Interpol.

A “Guyana Shield”, a “primeira operação transnacional” desse tipo, resultou em “mais de 24.500 fiscalizações de veículos e pessoas” e “cerca de 200 detenções”, segundo um comunicado da organização com sede em Lyon, no leste da França.

Três homens foram encontrados na Guiana em posse de ouro bruto e US$ 590 mil (R$ 3,14 milhões) em espécie, e foram detidos sob suspeita de contrabando de ouro, lavagem de dinheiro e vínculos com “uma grande empresa de exportação de ouro da Guiana”.

“A alta dos preços internacionais do ouro nos últimos anos levou a um aumento da extração ilegal desse mineral”, afirmou no comunicado o secretário-geral da Interpol, o brasileiro Valdecy Urquiza.

Para Urquiza, essa exploração “tornou-se a fonte de receita de crescimento mais rápido para os grupos do crime organizado, também na América Latina”.

A operação organizou fiscalizações e revistas “de forma conjunta” com agentes do Brasil, da Guiana Francesa e do Suriname nas margens dos rios Oiapoque e Maroni, fronteiras entre os três territórios.

Os agentes concentraram-se em estabelecimentos que vendiam material para a extração de ouro, conhecidos por estarem associados “em alguns casos” ao “contrabando de ouro e a suprimentos ilegais como o mercúrio”, utilizado para separar o ouro de outros metais.

Entre os equipamentos apreendidos: cilindros de mercúrio, ocultos em painéis solares, no valor de mais de US$ 60 mil dólares (R$ 320 mil) na Guiana e no Suriname; bombas, peneiras usadas para filtrar o ouro e armas de fogo.

A operação também permitiu interceptar um ônibus “que transportava migrantes sem documentos”, entre eles “vários menores supostamente explorados para fins de trabalho infantil ou abuso sexual”.

A operação Guyana Shield foi realizada em coordenação com a Interpol e a equipe encarregada dos crimes ambientais de alto impacto da polícia holandesa.

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