Em Cartaz

Quando Paris ficou mais triste

“Amanda”, de Mikhaël Hers, retrata o impacto do atentado ao Bataclan na vida de uma menina órfã e de uma cidade

Crédito: Pyramide Films

PASSEIO Amanda (Isaure Multrier) e o tio (Vincent Lacoste) são impedidos de passear após o atentado: liberdade vigiada (Crédito: Pyramide Films)

Os atentados terroristas de 13 de novembro de 2015 converteram Paris de cidade de sonho a pesadelo da vigilância. O drama “Amanda”, sexto longa-metragem do diretor francês Mikhaël Hers, de 44 anos, faz a crônica da cidade que perdeu a luz tanto no plano coletivo como no individual. A mãe de Amanda (Isaure Multrier) é morta no atentado à casa de espetáculos Bataclan, o local mais atingido nos ataques daquela noite. O tio, David (Vincent Lacoste), assume a guarda da menina de 7 anos e passa a viver com ela um segundo drama: o da cidade sitiada. Para alegrar Amanda, David leva-a para passear. Mas Paris não tem mais o famoso “savoir vivre”: os parques e praças estão tomados por soldados e ninguém circula. “De repente, a Paris que conheci não existia mais”, diz o também roteirista à ISTOÉ. “Eu vivi a sensação de estranheza no lugar onde moro. Tenho dois filhos pequenos que encaram a cidade militarizada como coisa normal.” Hers filma uma vida de transformação íntima e coletiva. O filme estreou em 2018 e obteve vários prêmios. “Quis contar a história como se ela fosse uma canção.” A canção nostálgica de uma cidade perdida.

Divulgação

4 dramas parisienses de Hers

Charell (2006)
Encontro inesperado de dois amigos distantes no Bois de Boulogne

Montparnasse (2009)
Crônica de conflitos e dilemas no bairro boêmio

Memory Lane (2010)
Sete amigos revivem a juventude no subúrbio

Aquele sentimento de verão (2015)
A morte de uma jovem em Berlim arruína a vida do namorado, que vive em Paris