Quais critérios definem exatamente a alta-costura?

A alta-costura retorna à capital francesa nesta segunda-feira (26) para quatro dias de desfiles, um evento exclusivamente parisiense que reúne um seleto grupo de marcas que atendem a critérios precisos e criam as peças que mais tarde desfilarão nos tapetes vermelhos.

O termo “alta-costura”, frequentemente usado para se referir à moda de luxo, é um conceito legalmente protegido e não deve ser confundido com o “prêt-à-porter”. Os principais pontos são:

– Critérios estritos –

Para obter essa designação, uma marca de moda deve atender a certos critérios.

As peças devem ser originais, feitas sob medida e à mão, desenhadas exclusivamente pelo diretor artístico permanente da casa em ateliês localizados na França.

A marca deve possuir dois ateliês distintos: um para “tailleur” (alfaiataria), com peças estruturadas e arquitetônicas, como jaquetas, casacos ou calças; e outro para “flou”, peças fluidas, como vestidos ou blusas.

O comitê regulador também exige uma equipe de pelo menos 20 funcionários, além da apresentação de dois desfiles anuais em Paris, em janeiro e julho, com no mínimo 25 ‘looks’, incluindo opções para o dia e para a noite.

Há, no entanto, uma certa flexibilidade para as marcas menores.

“Se tiverem apenas 21 ou 22 looks, não vamos agir como policiais”, afirma Pascal Morand, presidente executivo da Federação de Alta-Costura e Moda (FHCM), que organiza a Semana de Alta-Costura e a Semana de Moda de Paris. E nem sempre é necessário realizar dois desfiles por ano.

– Círculo seleto –

Apenas 13 marcas detêm a designação de “alta-costura”, entre elas gigantes do luxo como Dior, Chanel e Givenchy, além de Jean Paul Gaultier, Maison Margiela, Alexis Mabille, Schiaparelli e Julien Fournié.

A designação é concedida por apenas um ano e deve ser renovada a cada temporada.

Algumas importantes casas de moda francesas não constam da lista, como Saint Laurent e Hermès. A Saint Laurent abdicou do seu status de alta-costura em 2002, quando Yves Saint Laurent deixou a marca, e a Hermès planeja retornar até 2027.

Para além destas marcas conceituadas, há sete “membros correspondentes”, cujas atividades se enquadram no conceito de alta-costura, mas que não estão sediadas em Paris. Entre eles, encontram-se as marcas italianas Armani e Valentino, a libanesa Elie Saab e a dupla holandesa Viktor & Rolf.

A FHCM também convida estilistas selecionados para apresentarem as suas coleções a cada temporada. Entre outros, o sírio Rami Al Ali, a francesa Julie de Libran, o suíço Kevin Germanier e a sul-coreana Miss Sohee estão entre as 28 marcas participantes desta edição.

– História –

A alta-costura antecedeu o prêt-à-porter, que oferece uma moda industrial e fabricada em maior quantidade.

Esse estilo, que surgiu em Paris no final do século XIX com figuras como Charles Frederick Worth, Jeanne Paquin e Paul Poiret, é legalmente protegido e regulamentado desde 1945 pelo Ministério da Indústria francês.

“A alta-costura pode parecer um pouco antiquada”, reconhece Morand, mas é um “laboratório” de criatividade. “É um símbolo da identidade francesa”, afirma.

Em dezembro, passou a integrar o patrimônio cultural imaterial da França, o primeiro passo antes de submeter sua candidatura a Patrimônio Mundial da Unesco.

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