Putin se reúne com presidente da Síria

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, recebe nesta quarta-feira (28) o seu homólogo da Síria, Ahmed al-Sharaa, pela segunda vez desde a queda de Bashar al-Assad em 2024, e no momento em que Moscou tenta preservar suas bases militares em território sírio.

A visita de Al-Sharaa à Rússia, a segunda em quatro meses, ocorre em meio a temores de europeus e americanos de que os jihadistas ressurjam na Síria, sobretudo os do grupo Estado Islâmico (EI).

Antes da reunião, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, se mostrou otimista. “Não tenho nenhuma dúvida de que todos os temas relacionados à presença de nossos soldados na Síria serão debatidos durante as conversas de hoje”, disse a jornalistas.

Peskov não fez declarações sobre Assad, um tema delicado visto que o ex-presidente e sua esposa vivem refugiados na Rússia. O atual governante sírio pressiona para que Moscou o extradite.

A Rússia retirou nesta semana suas forças e armamentos do aeroporto de Qamishli, na zona autônoma curda do nordeste da Síria, constatou um jornalista da AFP no local. Moscou havia deslocado suas forças para esta região no fim de 2019, em virtude de um acordo com a Turquia.

As forças curdas ainda controlam Qamishli, mas sofreram um revés importante nas últimas semanas diante do exército sírio, ao qual tiveram de ceder extensas áreas do norte e nordeste da Síria.

A Rússia foi um aliado fundamental de Assad durante a sangrenta guerra civil de 14 anos, com ataques aéreos em regiões da Síria controladas por rebeldes e forças islamistas de al-Sharaa. Sua queda desferiu um duro golpe à influência da Rússia na região.

Os Estados Unidos aplaudiram a queda e estreitaram os laços com al-Sharaa, mesmo quando Damasco atacou as forças curdas que receberam apoio do Ocidente por muito tempo.

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