Putin está ficando sem opções, e sua guerra está perdida

Putin está ficando sem opções, e sua guerra está perdida

As más notícias para Vladimir Putin não param. A bomba que atingiu no último sábado a ponte ligando o seu país ao território da Crimeia, ocupado ilegalmente em 2014, foi um duro golpe na sua imagem pessoal. Essa obra de engenharia era discutida desde o tempo dos czares. Foi inaugurada pelo próprio presidente em 2018 como uma joia da engenharia russa e símbolo da expansão imperial da nação. Era protegida contra as investidas da Ucrânia por diversas camadas de segurança: mais de 20, segundo a propaganda oficial, inclusive com o uso de golfinhos. Uma bomba fez duas das quatro pistas colapsarem no mar e colocou em chamas um trem carregado de combustível que circulava em uma via paralela.

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A explosão paralisou parcialmente os suprimentos para abastecer as tropas que ocupam a Crimeia e a região de Kherson. Os danos vão dificultar essa logística, mas sem impedir que os soldados de Putin mantenham suas posições. O pior foi a sinalização pública. Mostra que qualquer território ocupado militarmente por Putin está vulnerável, e que os ucranianos estão ganhando a guerra.

Para contentar os “falcões” russos, Putin escolheu dar uma resposta estridente nesta segunda-feira. Promoveu uma chuva de artilharia por toda a Ucrânia, para supostamente intimidar os inimigos e mandar uma mensagem “à altura”. A operação matou dezenas de civis inocentes e serviu apenas de propaganda para consumo interno. A infraestrutura local foi danificada, mas um dia depois a luz já tinha sido parcialmente restabelecida.

Após esse ataque, o G7, que reúne os países mais ricos do mundo, fez uma reunião de emergência para condenar a escalada e renovar o apoio a Volodymyr Zelensky. A União Europeia acelerou o envio de armamentos. A própria Alemanha, que estava reticente com o envio de equipamento mais sensível, anunciou que encaminhará unidades de baterias antiaéreas e possivelmente os cobiçados tanques que resistia a despachar.

A guerra é um desastre geopolítico para Putin. Nunca os europeus estiveram tão unidos, os EUA passaram a exercer renovada influência global e a ambição irredentista do russo está virando pó. Foi obrigado a importar a guerra para o ambiente doméstico ao improvisar um gigantesco programa de mobilização militar, minando a base da sustentação de seu poder nas últimas décadas: a prosperidade econômica baseada na estabilidade e na segurança.

Com a economia ameaçada, a elite encurralada e os jovens fugindo para escapar do Exército, ficou difícil manter o discurso nacionalista do renascimento da grande Rússia, nostálgica do imperialismo tzarista e do expansionismo comunista. A Rússia está perdendo a influência nos antigos satélites soviéticos e na Ásia Central, cujos países começam a se voltar para a China e para a própria Europa.

Militarmente, o aparato soviético é anacrônico e obsoleto. Putin conseguiu esmagar a Chechênia com sua artilharia impiedosa nos anos 1990, mas a Ucrânia é uma nação cosmopolita conectada com a Europa. O país vizinho está mudando rapidamente seu arsenal de velhos equipamentos russos para os de última geração da OTAN. Seus soldados são treinados por militares ingleses e americanos. Suas tropas estão moralmente motivadas para expulsar os invasores, ao contrário dos mal-equipados recrutas russos.

O último ataque a Kiev e a diversas cidades da Ucrânia pouco vai fazer para mudar o curso do conflito. Ele visou alvos civis, e não objetivos militares. Os mísseis balísticos e de cruzeiro disparados pelos russos tiveram baixa eficiência, dizem especialistas. Mais da metade deles foi abatida pelos ucranianos, uma informação ainda a ser verificada de forma independente, mas crível. Alguns analistas dizem que mais da metade do arsenal de mísseis de precisão de Putin foi desperdiçado, o que deixa o Exército ainda mais debilitado para sua guerra, para a qual tem sido obrigado a recorrer a drones iranianos e à munição da Coreia do Norte (informação negada, mas que indicaria praticamente um desespero para reabastecer suas tropas).

Para se safar das críticas internas, Putin está sendo obrigado a transformar os próprios comandantes russos em bodes expiatórios, enfraquecendo a cadeia de comando herdada da era soviética. Ele precisa recorrer aos mercenários do grupo Wagner (o nome mostra a inspiração nazista), criado pelo oligarca Yegueni Prigozhin, e apela até à ajuda do “fantoche” checheno  Ramzan Kadyrov e do ditador aliado da Bielorússia, Aleksandr Lukashenko.

A indicação de Sergei Surovikin, um militar “carniceiro” para comandar as operações na Ucrânia, também não é um sinal de força, mas de fraqueza. O “general do Armagedom”, como Surovikin foi apelidado após as chacinas que liderou na Síria (também já foi preso por tráfico de armas), tem pouco a oferecer além de mais truculência e um cenário de terra arrasada. A comunidade internacional não aceitará a devastação da Ucrânia, um país europeu.

Os últimos grandes aliados de Putin, Índia e China, também já sinalizam um afastamento dele, apesar do interesse que têm em mantê-lo no poder. Por causa do isolamento crescente de Putin, a ameaça atômica também saiu de cena. Ainda está para ser revelada a verdadeira história dos múltiplos contatos que russos e americanos mantêm atualmente fora do holofote sobre essa questão, mas aparentemente Putin se convenceu de que um ataque nuclear desesperado custaria muito mais para ele do que para seus inimigos. Ele sonhou em se tornar um novo czar, revivendo o fausto soviético. Está virando rapidamente um novo Kim Jong-un.

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