Economia

Purdue Pharma declara falência para enfrentar crise dos opioides

Purdue Pharma declara falência para enfrentar crise dos opioides

(Arquivo) Purdue disse que solicitou a medida de acordo com o Capítulo 11 do Código de Falência dos EUA - GETTY IMAGES/AFP/Arquivos

O grupo farmacêutico Purdue Pharma – emblemático da crise dos opioides nos EUA – anunciou que vai declarar falência e a saída de seus proprietários, uma decisão com a intenção de solucionar a avalanche de processos contra ela.

Devido a um acordo com 23 promotores estaduais, mas que está sujeito à aprovação do tribunal, os Sackler vão transferir “todos (seus) ativos para um fundo, ou outra entidade estabelecida, para o benefício dos demandantes e do povo americano”, de acordo com um comunicado do grupo divulgado no domingo (15).

Essa decisão deve fornecer mais de US$ 10 bilhões para lidar com a crise dos opioides, que causou 47.000 mortes por overdose nos Estados Unidos em 2017.

A empresa, cujo analgésico OxyContin e apontado como o culpado por grande parte da epidemia de uso de opioides nos Estados Unidos, enfrenta milhares de processos em tribunais estaduais e federais.

Se o contrato for aceito, todas as ações serão “solucionadas”, inclusive as abertas por estados e municípios, e a Purdue seria “total e permanentemente liberada” de qualquer disputa judicial, explicou o grupo em seu site.

O laboratório é acusado de insistir com os médicos a prescreverem seus medicamentos em excesso, sabendo de seus efeitos viciantes. Dessa forma, ele teria contribuído para a crescente dependência dos americanos dos opioides, levando esses consumidores a tomarem drogas mais fortes, como o fentanil e a heroína.

O presidente da Purdue, Steve Miller, afirmou que o acordo “proporcionará bilhões de dólares e recursos críticos às comunidades de todo país, que tentam enfrentar a crise dos opioides”.

A empresa explicou que solicitou a medida sob o Capítulo 11 do Código de Falência dos Estados Unidos. A diretoria da nova empresa seria selecionada pelos demandantes e aprovada pelo Tribunal de Falências.

Miller disse que a reestruturação evitará “gastar centenas de milhões de dólares e anos de litígios”.

Nesta segunda, o CEO disse à CNBC que “esta é uma bifurcação no caminho”, pedindo para as autoridades respeitarem o acordo.

– Doações recusadas –

Como parte do acordo, a empresa informou que contribuirá com medicamentos, sem ou de baixo custo, como o nalmefeno e a naloxona, para o tratamento de usuários de opioides.

Além de ceder o controle da Purdue, a bilionária família Sackler contribuirá com três bilhões de dólares de sua fortuna, mas o valor pode aumentar no futuro.

Carl Tobias, professor de direito da Universidade de Richmond, Virgínia, disse que não tinha garantias de que o acordo vá impedir futuros processos. “Lança mais perguntas que respostas”, disse à AFP.

Na sexta-feira, o procurador do estado de Nova York acusou os Sacklers de tentarem esconder parte de sua fortuna transferindo um bilhão de dólares para a Suíça.

Os Sacklers, que durante décadas cultivaram uma imagem de patrocinadores das instituições acadêmicas e culturais mais prestigiadas do mundo, sofreram um duro golpe em sua reputação por seu papel na epidemia de opioides.

A National Portrait Gallery e a Tate Gallery, em Londres, o Metropolitan Museum e o Guggenheim, em Nova York, recusaram as doações dos Sacklers, devido à controvérsia.

Em julho, o museu do Louvre em Paris ocultou referências aos Sacklers de várias salas dedicadas a antiguidades orientais e que foram batizadas com o nome da família americana desde que fizeram uma doação em 1996.