PT e PSOL avaliam formar federação; saiba o que acontece com os partidos

Legenda socialista está na base do governo Lula, mas tem menor representatividade política do que petistas

Presidente Lula e ministro Guilherme Boulos, principais nomes de PT e PSOL, em Brasília
Presidente Lula e ministro Guilherme Boulos, principais nomes de PT e PSOL, em Brasília Foto: REUTERS/Mateus Bonomi

O PSOL reunirá sua direção nacional em 7 de março para discutir a formação de uma federação com o PT, legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Além dessa possibilidade, que encontra resistência em parlamentares mais à esquerda na sigla de Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, há outros dispositivos em vigor no Brasil para unir partidos. Neste texto, a IstoÉ explica o que são e como operam as federações, fusões e absorções partidárias.

Federação

Na mesa de negociações entre PT e PSOL, esse dispositivo foi criado na reforma eleitoral de 2021 como forma de permitir que os partidos se organizem e preservem sua atuação política após as restrições que foram estabelecidas com a cláusula de desempenho e o fim das coligações em eleições proporcionais — aquelas em que os representantes do Legislativo são eleitos –, ambos decretados em 2017.

Para formar uma federação, dois ou mais partidos devem chegar a um acordo e se registrarem como tal no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em um acordo com validade de quatro anos.

A partir do registro, as legendas envolvidas preservam suas próprias estruturas partidárias (como os filiados e as sedes de diretórios), mas ficam obrigadas a lançar candidaturas únicas para cargos majoritários — prefeito, governador e presidente –, independentemente da região do país, bem como orientar em conjunto as votações no Congresso. Além disso, elas dividem os recursos do fundo partidário e o tempo de propaganda no rádio e na televisão no período.

Nas extintas coligações para eleições proporcionais, vale lembrar, as siglas se agrupavam em um pleito e formavam, em cada cidade ou estado, listas conjuntas de candidatos a vereadores e deputados, obtendo o montante total de votos e sua distribuição por todos os concorrentes. Não havia necessariamente um alinhamento político e, fechadas as urnas, elas não precisavam manter qualquer tipo de laço.

Registrada em 2022, a federação ‘Brasil da Esperança’ elegeu o presidente Lula (PT)

Até o momento, há três federações em vigor no país. A principal delas reúne o próprio PT, PCdoB (Partido Comunista do Brasil) e PV (Partido Verde). Outra é integrada por PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) e Cidadania, que optaram pela ruptura a partir desta eleição.

Na terceira, o próprio PSOL está reunido com a Rede Sustentabilidade. O União Brasil e o PP anunciaram a formação de uma federação em 2025, mas ela ainda não foi oficializada no TSE.

Fusão ou absorção

fusão entre partidos ou a absorção de uma agremiação por outra provoca a extinção de uma ou mais legendas, o que complexifica o acordo. O funcionamento dele, por outro lado, é mais simples: havendo consenso entre duas ou mais siglas, elas apresentam ao TSE a demanda para se transformarem em uma só.

As fusões se tornaram frequentes desde a reforma eleitoral. PSL (Partido Social Liberal, em que Jair Bolsonaro se elegeu presidente) e Democratas formaram o União Brasil em 2022, enquanto Patriota e PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) se fundiram para formar o PRD (Partido da Renovação Democrática) em 2023. Nos dois casos, os partidos abriram mão dos números que usavam nas urnas para criar um novo, próprio da instituição criada.

Antonio Rueda (ao centro) é o presidente do União Brasil

Há ainda os casos em que o acordo não acarreta na formação de uma nova sigla, mas na absorção de um partido por outro. Embora não haja uma legislação prevendo isso, historicamente, a agremiação de maior representatividade absorve a de menor, mantendo seu nome e número nas urnas. Foi o que Podemos e Solidariedade fizeram com PSC (Partido Social Cristão) e Pros (Partido Republicano da Ordem Social), respectivamente, após as eleições de 2022.

Cláusula de desempenho

Pelos termos da cláusula, aprovada no Congresso em 2017, para não perder o acesso ao fundo eleitoral e ao tempo de propaganda eleitoral gratuita, os partidos terão de eleger ao menos 13 deputados federais distribuídos em 1/3 das unidades federativas ou obter no mínimo 2,5% dos votos válidos nas eleições para a Câmara espalhados pelo mesmo território nas eleições de 2026.

Essa exigência ameaça especialmente a sobrevivência de siglas menores, que encontram nas federações ou fusões um caminho para consolidar alguma representatividade e não perder o financiamento.

O objetivo é reduzir a dispersão partidária do país, onde há 29 agremiações registradas no TSE. Em 2016, antes da reforma eleitoral, eram 35.