Integrantes do PT de Minas Gerais ouvidos pela IstoÉ ainda aguardam uma definição do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB) sobre ser ou não candidato ao governo do estado em outubro.
Em paralelo, não está descartado o apoio do partido ao ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) ao cargo, hipótese remota até algumas semanas atrás.
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Os sinais e o silêncio de Pacheco
No meio do caminho, a rejeição do Senado à indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal) levou setores da esquerda a responsabilizarem Pacheco pela derrota histórica do governo Lula (PT). O mineiro, vale lembrar, era o preferido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) — considerado protagonista da rejeição — para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso na corte.
Ao mesmo tempo, o senador deixou de dar sinais de que disputará as eleições de outubro depois de se filiar ao PSB e abrir caminho para isso, no início de abril. Mesmo assim, conforme reportou o jornal Folha de S. Paulo, segue sendo o favorito de Lula para subir em seu palanque em Minas.
Pré-candidata ao Senado pelo PT e ex-prefeita de Contagem, Marília Campos afirmou à IstoÉ que a indefinição do aliado é positiva para o partido porque “mantém a possibilidade” da candidatura, a depender de uma conversa com o presidente. “Os adversários alimentam uma tensão entre Pacheco e o PT [pelo caso Messias] porque não querem que ele concorra ao governo“, afirmou.
A ex-prefeita minimizou a demora para a definição ao lembrar que, no campo da direita, ela também acontece. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Flávio Roscoe (PL) são aventados para concorrer ao Palácio Tiradentes, enquanto o atual governador Mateus Simões (PSD) não decola nas pesquisas.
Presidente do diretório petista de Belo Horizonte, Guima Jardim disse à IstoÉ que o caso Messias e a falta de gestos públicos do ex-presidente do Senado não mudam a estratégia local da sigla, que é “contribuir para a reeleição do presidente”.
“O Lula escalou Pacheco e, se ele aceitar a convocação, será apoiado. Vejo o PT muito articulado, pronto para que seja ele [o candidato ao governo]. É uma ideia internalizada”, acrescentou.

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Alternativa gera divergências
Ainda que a preferência de Lula garanta a espera por Pacheco, a pré-candidatura de Alexandre Kalil, lançada no PDT ainda no final de 2025, é encarada como alternativa pelos petistas. “Sempre defendi que devemos ir com um dos dois. Se Pacheco topar, devemos chamar Kalil para uma composição. Se não, temos o Kalil, que é um perfil muito diferente, mas é uma opção”, afirmou Marília Campos, que tem bom diálogo com o pedetista.
O ex-prefeito de Belo Horizonte apoiou Lula no estado em 2022, quando perdeu o governo para Romeu Zema (Novo) no primeiro turno, mas desde então não voltou a conversar com o presidente e afirmou que só quem ele quiser sobe em seu palanque. Em maio, passará a percorrer cidades do interior em atos de pré-campanha sem apoio do PT.
Diante da incerteza de todos os lados, o partido avalia alternativas, como Josué Alencar, recém-filiado ao PSB, ex-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e filho de José Alencar, vice-presidente nos dois primeiros mandatos de Lula.
“Josué conviveu conosco [petista] na eleição de 2014, quando foi nosso candidato ao Senado [terminou em segundo lugar, pelo MDB]. É preparado, leal, competente, testado na vida pública, presidiu a Fiesp e tem boa articulação no setor da indústria. Seria uma excelente proposta, mas quem decide é o presidente”, disse Jardim.
A ex-prefeita, por sua vez, defendeu que o PT “não deveria arriscar” a construção de um palanque do zero no estado a menos de cinco meses para a eleição. “Josué é uma pessoa boa, competente, mas já participou do cenário político e, depois evaporou”, afirmou, reiterando a preferência por Kalil em caso de negativa de Pacheco.
Na rodada mais recente da pesquisa Genial/Quaest, o ex-prefeito da capital registrou 14% das intenções de voto para o primeiro turno do pleito, atrás do líder Cleitinho Azevedo, com 30%. Pacheco, por sua vez, teve 8%, e Alencar não foi incluído no levantamento.
A IstoÉ apurou que o presidente nacional do PT, Edinho Silva, deseja se reunir com o senador o quanto antes para definir sua participação no pleito, mas a direção da legenda não descarta outras possibilidades no estado.