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Psicologia Esportiva: os efeitos da conexão mental e física em quadra

Entenda como a psicologia é um dos recursos mais importantes do basquete

Psicologia Esportiva: os efeitos da conexão mental e física em quadra

A Psicologia Esportiva é uma área da Psicologia que estuda o comportamento dos atletas visando melhorar sua qualidade de vida e seu desempenho em quadra. Para isso a profissão busca trabalhar com a parte emocional de um jogador, estudando o efeito da mente na prática de esportes físicos. Um exemplo dessa ligação entre o mental e o físico é a análise de quais situações fazem uma jogadora ou um jogador perder a concentração e/ou se desestabilizar em quadra. E, ao contrário do que se pensa, um psicólogo com essa especialização não trabalha apenas com atletas de alto rendimento.

No esporte, o técnico é responsável pela parte técnica e tática, como fundamentos, habilidades, movimentação, posicionamento, jogadas ensaiadas. O preparador físico, no geral, é responsável pelo condicionamento físico de um atleta, visando melhorar sua força e resistência muscular, flexibilidade, capacidade aeróbica, entre outros. Por sua vez, o psicólogo é responsável por trabalhar o emocional dos atletas para que a mente impacte de maneira positiva na prática do esporte. Dessa forma, o papel do psicólogo fortalece o atleta na competência psicológica e, consequentemente, impacta de maneira a contribuir no desempenho individual. Além disso, em esportes coletivos, como é o caso do basquetebol, a Psicologia ajuda nos relacionamentos estabelecidos entre os atletas, aumentando e melhorando a confiança, a comunicação e a relação entre eles.

Raphael Zaremba, Doutor em Psicologia pela PUC-Rio e técnico de basquetebol, explicou que a parte emocional é uma das quatro competências a serem trabalhadas em um atleta e que essa é a importância de um psicólogo para um time.

– Se a gente pensar que um atleta precisa trabalhar 4 competências em quadra (a técnica, a tática, a física e a emocional), existem diferentes profissionais para desempenhar esse trabalho. Na Psicologia Esportiva a gente lida com toda a parte ligada ao emocional, como a maneira na qual o atleta lida com situações de pressão, concentração, torcida e influências externas, como pais e imprensa. Se existem essas 4 competências a gente entende que não adianta um atleta ser competente apenas tecnicamente, se não é bem condicionado fisicamente. Da mesma forma, também não adianta estar condicionado fisicamente, saber se posicionar, saber os fundamentos se qualquer situação consegue desestabilizar o jogador – contou Raphael.

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Mesmo com sua importância, a Psicologia Esportiva ainda não pôde mostrar todo seu potencial no Brasil. Perguntado sobre os motivos para essa desvalorização da área, Raphael destacou principalmente três fatores: o desconhecimento, o estigma e a falta de investimento.

– Existe uma falta de clareza de qual é o papel do psicólogo no esporte, seu tipo de atuação e sua importância. Isso é a base do preconceito, há uma estigmatização muito grande de que ter um psicólogo é para quem tem algum transtorno mental ou patologia, além da ideia de que recorrer à psicologia é sinal de fraqueza. Um outro fator é a falta de investimento e, com baixos orçamentos, muitas vezes é considerado um luxo ter um profissional desses numa equipe. Isso serve para todos os meios: pessoal, corporativo e esportivo. – explicou o técnico.

No futebol brasileiro, um dos esportes com maior investimento no país, já existem alguns clubes que contam com a atuação desses profissionais. Mesmo assim, a seleção brasileira do esporte ainda não possui um departamento de psicologia.

No caso do basquetebol os investimentos na área psicológica são ainda menores. No NBB (Campeonato nacional organizado pela LNB), apenas as equipes Unifacisa e Brasília possuem psicólogos na comissão técnica. Na liga nacional feminina (LBF) a realidade não é diferente, ainda assim, há algumas equipes que reconhecem a importância desses profissionais e conseguem contar com sua presença. Um exemplo é a equipe carioca profissional feminina Sodiê Doces/LSB RJ, que disputa a LBF.

A equipe, fundada em 2019 pela Liga Super Basketball (LSB), conta com a psicóloga Julia Crespo, que atua com as atletas coletiva e individualmente. Sobre seu trabalho, a profissional contou ser um processo.

– Meu trabalho na LSB é um processo. Se iniciou com um psicodiagnóstico da equipe e está em constante atualização. Entrevistei todas as atletas individualmente e, tenho como rotina a observação dos treinos, intervenções pontuais e dinâmicas de grupo semanais com todas, além de sessões individuais quando há demanda – revelou Julia.

Mesmo em pouco tempo de trabalho, os resultados da Psicologia em quadra já são nítidos. Em relação a isso, Julia contou que já é possível notar nitidamente a coesão do grupo, além dos objetivos, das metas e do foco das atletas muito bem estabelecidos.

Quanto ao momento de pandemia devido ao Novo Coronavírus, a psicóloga esportiva contou que um ponto muito importante que está aprimorando com o time, além da resiliência e da motivação, é o trabalho em equipe.

– Já que estamos distantes fisicamente, seria fácil que a integração do grupo se perdesse, mas com os encontros semanais, com as atividades elaboradas visando a esse propósito e com os objetivos bem estabelecidos, as atletas estão mais unidas ainda – contou, satisfeita.

Sobre o futuro da Psicologia no esporte, Raphael Zaremba, que também atua no time, contou que a área está crescendo cada vez mais e se mostrou positivo.

– Comecei há mais de 20 anos atrás e percebo uma mudança. Está longe do ideal, mas creio que estamos caminhando. Torçamos pra que essa caminhada continue, que a área seja cada vez mais valorizada e que a gente tenha cada vez mais a presença dos psicólogos trabalhando junto aos atletas nas equipes – finalizou o psicólogo e técnico.

*Estagiários sob a supervisão de Tadeu Rocha.

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