Edição nº2501 17.11 Ver edições anteriores

PSDB e Temer morrem abraçados

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso bem que avisou. Se a tal ponte para o futuro de Michel Temer, chamada por ele jocosamente de pinguela, não desse certo, cairiam todos no rio. Não deu outra. Na semana passada, o PSDB, que imaginava ser o “futuro”, morreu abraçado a Temer. A morte se deu quando o senador Aécio Neves (PSDB-MG) decidiu destituir, na mão pesada, o seu colega Tasso Jereissati (PSDB-CE) da presidência interina do partido.

O choque se deu por razões óbvias. Para sonhar com qualquer possibilidade de sucesso eleitoral no futuro, os tucanos teriam de se livrar de dois pesos: Temer e Aécio, que são, coincidentemente, os dois políticos mais rejeitados do Brasil, com avaliações negativas de 95% e 93%, segundo a pesquisa Ipsos. Como Aécio, mesmo desmoralizado, ainda tem a caneta partidária e se preocupa mais em manter as suas dezenas de cargos na administração Temer do que com o futuro do PSDB, Tasso foi sacrificado.

O desafio dos tucanos agora será gigantesco. Candidato natural da legenda em 2018, o governador Geraldo Alckmin terá de unificar um partido em frangalhos, que lava em público a sua roupa suja. Tasso se refere a seus adversários como “esses caras”. O senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) qualifica Aécio como a “maior decepção” que a política brasileira já produziu. Enquanto isso, empresários começam a abraçar a candidatura do apresentador Luciano Huck, que cogita concorrer pelo PPS, contando com o apoio discreto de FHC, enquanto economistas ligados ao Plano Real se abrigam em outras siglas — como foi o caso de Gustavo Franco, que migrou para o Novo. Correndo por fora, o prefeito João Doria mantém conversas com Temer para eventualmente concorrer pelo PMDB.

A crise pode ganhar contornos ainda mais acentuados nos próximos dias, quando Michel Temer anunciar sua reforma ministerial. Liderados pelo centrão, partidos da base afirmam que nada será votado enquanto o PSDB não perder seus ministérios. É um posição coerente, pois não faz sentido que os tucanos, que lideraram o golpe de 2016, abram o bordel, participem da suruba e, às vésperas de uma eleição, decidam posar de freiras num convento. Nessa racha, os mais pragmáticos, apegados a seus cargos, poderão até deixar o partido.

Se fosse possível voltar no tempo, muitos tucanos refletiriam sobre o grande erro histórico do PSDB que foi embarcar na insanidade de um golpe contra a democracia brasileira, ancorado na farsa das chamadas “pedaladas fiscais”. Se tivessem ficado quietos, teriam chances razoáveis na disputa presidencial de 2018. Hoje, têm que explicar por que colocaram Temer, governante mais impopular do mundo, no poder e também por que não se livram de Aécio. Um fim melancólico para aqueles que se vendiam como a elite do pensamento político no Brasil.


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