PSD passa a governar 5 estados e 20% dos brasileiros com chegada de Caiado

Partido lidera unidades da federação sob seu comando e fica atrás apenas do Republicanos em população governada

Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, presidenciáveis do PSD
Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, presidenciáveis do PSD Foto: Montagem/IstoÉ

A filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD fez com que, além de reunir três présidenciáveis, a sigla passasse a liderar a quantidade de estados governados no país, com cinco.

O partido ultrapassou o PT, que chefia quatro estados do Nordeste; e desfalcou diretamente o União Brasil, que com Caiado tinha quatro governadores, mas passou para três.

Em população governada, os pessedistas têm 19,87% dos brasileiros sob seu comando, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), contando os cerca de 7,4 milhões de habitantes de Goiás.  O partido presidido por Gilberto Kassab está em segundo lugar no quesito, atrás apenas do Republicanos, que governa Tocantins e São Paulo, onde reside mais de 20% da população brasileira.

Partido de Kassab governa quase 20% dos brasileiros; veja lista

Paraná, Ratinho Júnior: cerca de 11,8 milhões de habitantes, 5,57% da população nacional;

Rio Grande do Sul, Eduardo Leite: 11,2 milhões, 5,26%;

Pernambuco, Raquel Lyra: 9,5 milhões, 4,48%;

Goiás, Ronaldo Caiado: 7,4 milhões, 3,48%;

Sergipe, Fábio Mitidieri: 2,2 milhões, 1,08%;

Total: 42,1 milhões de habitantes, 19,87% da população nacional.

Arte: Luma Venâncio/IstoÉ

O salto do PSD entre eleições

Embora tenha projeção nacional pela pré-candidatura ao Palácio do Planalto, a chegada de Caiado é uma espécie de “coroação” do movimento de fortalecimento estadual feito por Gilberto Kassab e seus colegas de comando partidário desde as eleições de 2022.

Na ocasião, as urnas deram ao PSD o comando do Paraná e do Sergipe, que concentram pouco mais de 14 milhões de brasileiros. O número fazia a legenda começar o novo ciclo eleitoral apenas como a nona em população governada, atrás de Republicanos, PT, PL, PSDB, Novo, União, PSB e MDB.

De lá para cá, o PSD avançou no ocaso do PSDB, em crise após registrar seu pior desempenho da história no último pleito, com a eleição de três mandatários estaduais e 13 deputados federais — em 2026, os partidos terão eleger ao menos 13 deputados federais ou obter no mínimo 2,5% dos votos válidos nas eleições para a Câmara para não perder acesso ao fundo eleitoral e à propaganda eleitoral gratuita.

Com a derrocada, Raquel Lyra e Eduardo Leite trocaram o tucanato pelo PSD com objetivos diferentes — no caso da pernambucana, a aproximação com o governo Lula (PT), popular no seu estado; no do gaúcho, o desejo de uma candidatura presidencial; Eduardo Riedel, do Mato Grosso do Sul, também trocou a sigla pelo PP.

O partido de Kassab ainda filiou a senadora Mara Gabrilli (SP) e centenas de prefeitos do partido, especialmente em São Paulo, e passou a liderar também em prefeituras, com 886.

Nesta semana, o PSD atingiu a dianteira estadual pela capacidade de atrair Caiado para um projeto presidencial. O goiano lançou-se pré-candidato ainda em 2025, pelo União Brasil, mas não obteve consenso em torno de seu nome. Na nova legenda, disse ter a garantia de que aquele que for mais competitivo entre os três — Ratinho, Leite e ele — enfrentará Lula e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas urnas em outubro com apoio dos correligionários.

A amplitude de poder está no centro do que atraiu Caiado e Leite e manteve Ratinho na agremiação, apesar da disputa interna pela vaga de presidenciável. Mesmo que o partido chegue às eleições dividido — o governador Fábio Mitidieri deve apoiar a reeleição de Lula, assim como lideranças pessedistas da Bahia e do Amazonas, enquanto Lyra se movimenta em direção ao petista –, o escolhido terá palanques fortes em ao menos três estados cuja densidade eleitoral poderá garantir uma boa largada no primeiro turno.

Renato Dorgan, cientista político e proprietário do instituto de pesquisas Travessia, pondera ainda que a força eleitoral dos nomes e palanques possibilita a negociação pela vaga de vice-presidente nas chapas de Lula ou Flávio. “As várias alternativas fazem com que a eleição tenha de passar pelo PSD”, afirmou à IstoÉ.