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Protestos na Colômbia exigem renúncia de procurador-geral por caso Odebrecht

Protestos na Colômbia exigem renúncia de procurador-geral por caso Odebrecht

Milhares de pessoas protestaram em diversas cidades da Colômbia para exigir a renúncia do procurador-geral, Néstor Humberto Martínez, questionado por seu papel no caso Odebrecht. - AFP

Milhares de pessoas protestaram nesta sexta-feira, em diversas cidades da Colômbia, para exigir a renúncia do procurador-geral, Néstor Humberto Martínez, questionado por seu papel no caso Odebrecht.

Os manifestantes acenderam lanternas, agitaram bandeiras brancas e exibiram cartazes com frases como “Colômbia precisa da renúncia do procurador”, aos gritos de “fora” e “corrupto”.

“Viemos para dar voz à rejeição de todas as pessoas que organizaram isto, porque temos que demonstrar que o povo não está calado. Estamos cansados de tanta corrupção, da falta de justiça”, disse à AFP Rafael Guerrero, administrador de empresas, durante o protesto em Bogotá.

Também ocorreram protestos nas cidades de Medellín (noroeste), Cali (sudoeste) e Barranquilla (norte), entre outras capitais departamentais.

Setores políticos da oposição pedem a renúncia de Martínez desde dezembro passado, após revelações da imprensa que o ligavam à corrupção praticada pelo grupo brasileiro na Colômbia.

Jorge Pizano, auditor do consórcio formado pelo grupo brasileiro e a empresa local Corficolombiana para construir uma milionária autoestrada ligando o centro ao norte do país, disse em entrevista que Martínez sabia das irregularidades do consórcio e não fez a denúncia.

O ex-auditor tinha uma relação pessoal e profissional com Martínez, que trabalhava como advogado do influente banqueiro Luis Carlos Sarmiento, dono da Corficolombiana.

Pizano faleceu no dia 8 de novembro, supostamente de causas naturais, mas três dias depois seu filho morreu envenenado com cianureto em uma garrafa d’água encontrada no escritório de Pizano.

As duas mortes estão sendo investigadas.

Segundo a promotoria, a Odebrecht pagou na Colômbia 32,5 milhões de dólares em suborno em troca de obras, uma prática realizada pela empresa em pelo menos 12 países, entre eles dez latino-americanos.