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Protesto em Santiago tem incêndio e saques

Protesto em Santiago tem incêndio e saques

Protesto contra governo de Sebastián Piñera no centro de Santiago do Chile, em 8 de novembro de 2019. - AFP

Milhares de manifestantes participaram nesta sexta-feira da chamada terceira maior passeata do Chile, que terminou na Praça Itália de Santiago, em meio a saques a ao incêndio da sede de uma universidade.

Três semanas após o início de uma revolta social sem precedentes, a enorme passeata – a princípio pacífica – degenerou em violência e a sede da Universidade Pedro de Valdivia foi incendiada.

O incêndio no prédio, construído em 1915, começou quando manifestantes encapuzados enfrentavam a polícia de choque e atearam fogo a barricadas em torno do local.

Os manifestantes haviam rebatizado a Praça Itália com uma enorme bandeira com a inscrição: “Praça da Dignidade”.

Ao cair da tarde, uma maré humana inundou – pelo terceiro dia seguido – as duas calçadas da Avenida Alameda em direção à Praça Itália, carregando bandeiras chilenas, apitos e máscaras de distintos personagens, além de cartazes contra o governo do presidente Sebastián Piñera.

Ao passar diante do Palácio Presidencial, os manifestantes gritaram palavras de ordem contra o Piñera e insultaram os policiais que protegiam o La Moneda.

“Vim para derrubar os mitos de que estes são protestos violentos”, disse à AFP Cristian, estudante de 27 anos que atendeu ao chamado feito pelas redes sociais após a última mensagem do presidente, que anunciou novas medidas de segurança para garantir a ordem pública.

“A última mensagem de Piñera foi uma aberta provocação, não entende nada”.

O presidente endureceu sua posição sobre a ordem pública após os protestos se alastrarem aos bairros mais exclusivos de Santiago, e não fez qualquer anúncio para atender às demandas dos manifestantes, especialmente sobre educação e saúde.

“São muitos anos de abuso”, disse à AFP Raúl Torres, aposentado de 65 anos que após 43 anos de trabalho recebe uma pensão de 130 mil pesos (175 dólares), suficiente apenas para sobreviver.

“É uma alegria ver esta juventude que se levanta. Como não percebemos antes que estávamos sendo condenados à pobreza?!”, refletiu Torres.

Em Viña del Mar também ocorreram confrontos violentos entre manifestantes e policiais, e barricadas foram levantadas no centro da cidade.