Protesto anti-Trump atrai milhões às ruas dos EUA

Organização fala em público de 8 milhões em mais de 3 mil atos em todos os estados americanos. Trump viu índices de aprovação despencarem desde que voltou à Casa Branca, no início de 2025.Multidões saíram às ruas nos Estados Unidos neste sábado (28/3) para protestar contra o governo do presidente Donald Trump, por considerá-lo autoritário e uma ameça à democracia americana.

Houve mais de 3,2 mil atos em todos os 50 estados americanos, que segundo a organização atraíram um público de 8 milhões.

Os protestos, realizados sob o mote "No Kings" ("sem reis", em tradução literal), são organizados por um amplo movimento de grupos da sociedade civil.

Eles acontecem num momento de críticas crescentes a Trump em uma série de temas, incluindo imigração, corrupção, economia e política externa.

Trump também enfrenta crescente pressão com a aproximação das eleições de meio de mandato, em novembro, quando seu Partido Republicano pode perder o controle das duas câmaras do Congresso.

O republicano viu seus índices de aprovação despencarem desde que reassumiu a Casa Branca, no início de 2025. A perda de apoio foi observada mesmo entre eleitores da base trumpista. Atualmente, a maioria do eleitorado americano está descontente – 56%, segundo uma pesquisa YouGov feita para o jornal Financial Times.

A guerra no Oriente Médio, que provocou alta nos preços de combustíveis nas últimas semanas, contribuiu para esse cenário. O conflito deflagrado por ataques de EUA e Israel ao Irã é reprovado por seis em cada dez americanos, segundo uma pesquisa recente do Pew Research Center.

Em Washington, alguns dos cartazes traziam frases pedindo a saída de Trump do governo, chamando-o de fascista e criticando a guerra. Em um deles, lia-se a frase "Regime change begins at home" ("A mudança de regime começa em casa"), alusão à pretensão de EUA e Israel de derrubar o regime dos aiatolás em Teerã.

Em Atlanta, um manifestante disse à agência de notícias AFP que sentia que a Constituição dos Estados Unidos estava "sob ameaça de várias maneiras diferentes".

"Nenhum país pode governar sem o consentimento do povo", disse Marc McCaughey, veterano militar de 36 anos. "As coisas não estão normais. Elas não estão bem."

Em Minnesota, principal vitirine dos protestos, o cantor Bruce Springsteen prestou uma homenagem a Renée Good e Alex Pretti, cidadãos americanos mortos por agentes federais de imigração em janeiro deste ano.

"O exército particular do Departamento de Segurança Nacional do rei Trump, com armas presas aos casacos, veio a Minneapolis para fazer cumprir a lei — ou assim diz a história deles", cantou Springsteen.

Protestos também no exterior

Críticos do governo Trump, em sua maioria expatriados, também se reuniram em ao menos outros 15 países.

Na Alemanha, houve protestos de menor escala em cidades como Hamburgo, Munique, Frankfurt e Düsseldorf. Em Berlim, os manifestantes pediram a liberação completa dos arquivos do criminoso sexual Jeffrey Epstein e criticaram o ICE, a polícia migratória de Trump.

Em Roma, manifestantes gritaram palavras de ordem contra a primeira-ministra Giorgia Meloni após o fracasso do referendo de seu governo sobre reformas judiciais. Muitos carregavam cartazes alertando para ameaças à independência judicial e pedindo "um mundo livre de guerras".

Em Londres, manifestantes marcharam contra a ultradireita e o racismo.

Casa Branca minimiza protestos

A Casa Branca minimizou os protestos, descrevendo-os como atos "financiado por redes esquerdistas" sem apoio público significativo.

É a terceira vez em menos de um ano que tais manifestações ocorrem, após terem sido realizadas pela primeira vez em junho e depois novamente em outubro.

Vários milhões de pessoas participaram das duas rodadas anteriores.

ra (EFE, AP, AFP, Reuters, dpa, ots)