Senadores garantem prorrogação da CPI do Crime Organizado

Colegiado investiga facções e milícias; oitivas com Ibaneis Rocha e Roberto Campos Neto estão previstas

Waldemir Barreto/Agência Senado
A informação foi divulgada pelo senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, anunciou no domingo, 5, que conseguiu as 27 assinaturas necessárias para estender os trabalhos da comissão no Senado Federal. A prorrogação da CPI do Crime Organizado, que investiga o avanço de facções e milícias, garante a continuidade das apurações por mais 60 dias.

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O que aconteceu

  • O senador Alessandro Vieira obteve as assinaturas para prorrogar a CPI do Crime Organizado no Senado.
  • A comissão, que investiga facções e milícias, busca estender seus trabalhos por mais 60 dias.
  • Oitivas com Ibaneis Rocha, André Garcia e Roberto Campos Neto estão previstas nos próximos dias.

Ao todo, 27 senadores assinaram o pedido de prorrogação, número que corresponde a um terço dos membros da Casa. Esta é a quantidade mínima exigida pelo regimento interno para a extensão dos trabalhos de Comissões Parlamentares de Inquérito.

Entenda a prorrogação da CPI

A CPI do Crime Organizado foi instalada em 4 de novembro do ano passado, com um prazo inicial de 120 dias. Com isso, a previsão de encerramento dos trabalhos era 14 de abril. O colegiado, contudo, solicitou mais 60 dias para apresentar e votar o relatório final. A decisão sobre a continuidade da comissão caberá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Senadores de diversos partidos aderiram ao pedido de prorrogação da comissão, segundo Vieira. O parlamentar divulgou os nomes dos signatários em seu perfil na rede social X.

“A CPI do Crime Organizado tenta trazer um pouco de luz, apontando abusos, omissões e crimes de figuras poderosas. Conseguimos as assinaturas necessárias para a sua prorrogação, pois ainda temos depoimentos importantes para fazer e muita documentação para analisar”, afirmou o senador Alessandro Vieira.

A CPI do Crime Organizado está apurando a atuação, o crescimento e o funcionamento de organizações criminosas no Brasil, com foco nas facções e milícias que operam no País.

Os próximos passos da investigação

Nesta terça-feira, 7, a comissão prevê ouvir o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) sobre a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) e a venda de honorários a fundos administrados pela Reag. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça desobrigou Ibaneis de comparecer ao depoimento, mas a oitiva segue na pauta.

Ainda nesta reunião, a CPI deve ouvir o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, que abordará as ações envolvendo o “domínio territorial das facções dentro das unidades prisionais” do País.

Na reunião da próxima quarta-feira, 8, a CPI pretende ouvir o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Ele já faltou a dois depoimentos anteriores, alegando “compromissos profissionais previamente agendados”.

Os senadores convocaram Campos Neto para prestar esclarecimentos sobre os procedimentos adotados pelo Banco Central para autorizar o ingresso de novos controladores no sistema financeiro nacional, especialmente no que diz respeito ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Na mesma reunião, também está prevista a oitiva do atual chefe do Banco Central, Gabriel Galípolo, que comparecerá na condição de convidado.

Quem são os senadores signatários

Senadores signatários da prorrogação da CPI do Crime Organizado

– Alessandro Vieira (MDB-SE);

– Flávio Arns (PSB-PR);

– Esperidião Amin (PP-SC);

– Jorge Kajuru (PSB-GO);

– Fabiano Contarato (PT-ES);

– Mara Gabrilli (PSD-SP);

– Jaime Bagattoli (PL-RO);

– Styvenson Valentim (PSDB-RN);

– Sergio Petecão (PSD-AC);

– Plínio Valério (PSDB-AM);

– Wellington Fagundes (PL-MT);

– Jayme Campos (União-MT);

– Vanderlan Cardoso (PSD-GO);

– Hamilton Mourão (Republicanos-RS);

– Wilder Morais (PL-GO);

– Eduardo Girão (Novo-CE);

– Damares Alves (Republicanos-DF);

– Luis Carlos Heinze (PP-RS);

– Sérgio Moro (PL-PR);

– Paulo Paim (PT-RS);

– Cleitinho (Republicanos-MG);

– Astronauta Marcos Pontes (PL-SP);

– Leila Barros (PDT-DF);

– Confúcio Moura (MDB-RO);

– Magno Malta (PL-ES);

– Oriovisto Guimarães (PSDB-PR);

– Carlos Viana (PSD-MG).

*Com informações do Estadão Conteúdo