Promotor de boxe é suspeito de tráfico internacional e EUA oferecem R$ 25 mi de recompensa

Promotor de boxe é suspeito de tráfico internacional e EUA oferecem R$ 25 mi de recompensa

O notório promotor de boxe Daniel Kinahan é suspeito de comandar um cartel irlandês de tráfico internacional de armas e drogas. Atualmente, ele vive em autoexílio em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Desde o mês passado, os Estados Unidos ofereceram uma recompensa de US$ 5 milhões (cerca de R$ 25 milhões) por informações que ajudem a prendê-lo. As informações são do UOL.

Conforme a Justiça irlandesa, o crime faz parte da família Kinahan. O pai de Daniel, Christy Kinahan, foi detido pela primeira vez em 1987 por posse de heroína avaliada em 117 mil libras esterlinas. Depois, ele se mudou para a Espanha, onde estabeleceu rotas para a Colômbia e se tornou um intermediário para revender drogas aos cartéis da Europa.

Foi assim que nasceu o Cartel Kinahan, nos anos 2000. Atualmente, segundo a Justiça irlandesa, os negócios são comandados por Daniel, que tem como braço direito o irmão mais novo, Christopher Kinahan Jr.

Em 2012, Daniel se tornou empresário do ramo de boxe e fundou uma empresa, hoje chamada de MTK Global. Depois de um período, ela teve um crescimento astronômico e chegou a trabalhar com 250 boxeadores no mundo inteiro.

Depois do anúncio de recompensa para Daniel, a MTK Global fechou inesperadamente. Questionada, ela afirmou que Kinahan não atuava na empresa desde 2017.

No entanto, o advogado que representa Daniel Kinahan informou à TV britânica BBC que o seu cliente dava “conselhos pessoais a um número de boxeadores agenciados (pela MTK) e também a boxeadores de outras companhias”.

Os negócios da família Kinahan fizeram com que Daniel fosse alvo de pelo menos dois atendados em uma disputa entre gangues. Em 2016, ele estava em um hotel de Dubai e teve de pular pela janela para não ser morto durante um tiroteio.

Esse foi um dos motivos que teriam feito com que ele se mudasse para Dubai.

Documentos publicados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, sigla em inglês) apontam que Daniel e seus associados mais próximos já abriram empresas em Dubai. Eles também possuem apartamentos e escritórios.

As autoridades americanas afirmam que Daniel e seu irmão Christopher moram na ilha artificial Palm Jumeirah, um dos lugares mais cobiçados do mundo.

Agora, a Justiça irlandesa acredita que o cerco contra a família Kinahan esteja se fechando, já que os EUA são aliados dos Emirados Árabes. No entanto, o país do Oriente Médio não tem colaborado muito e é visto pelos americanos como um “facilitador de atividades ilícitas” do clã Kinahan.

Por isso, os Estados Unidos estão tomando cuidado para não pressionar demais os Emirados Árabes. A recompensa foi uma tentativa americana de derrubar o cartel.