Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

Não é novidade o uso do olfato apurado dos cães para necessidades humanas. Seja na segurança pública, para encontrar drogas ou até os casos de pessoas desaparecidas, os cachorros podem contribuir ainda mais para sociedade com a possível descoberta de doenças, além da sua inseparável companhia. As informações são do jornal O Globo.

Pelo menos dois projetos brasileiros estão treinando cães para farejar doenças como a Covid-19 e o câncer de mama. A ideia é fazer com que os pets consigam identificar enfermidades por meio de substâncias produzidas pela sistema imunológico. Dessa forma, essas compostos químicos possuem um cheiro específico, que são liberadores pelo suor, urina e fezes.

Divulgação

O primeiro estudo, realizado na cidade de Campo Limpo Paulista, em São Paulo, fez com que 14 cães de raças variadas conseguissem identificar a Covid-19. O projeto foi feito pela Unidade K9 Internacional, a qual participou de um estudo iniciado em 2020, liderado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e pela Escola Nacional Veterinária de Alfort, na França.

Já no projeto mais recente, realizado pela pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), no interior paulista, conta com o treinamento de oito cães.

“Primeiro treinamos o cão para ele aprender a procurar por algo que queremos. Depois, ensinamos a diferenciar o cheiro dos casos positivos das amostras controle, que são testes negativos ou pessoas que estão com outras infecções virais”, explicou Jorge Pereira, responsável técnico da empresa de treinamentos caninos, ao jornal O Globo.

Apesar da boa notícia, o toque dos cachorros com as amostras levanta a dúvida do risco de contaminação. Por isso, os animais farejadores só têm contato com o conteúdo a ser analisado por meio de recipiente com pequenos furos, os quais permitem o cão cheirar a amostra sem encostar nela.

De acordo com o estudo, o cão fareja vários frascos, caso identifique algum contaminado, ele para o processo e senta.

Câncer no ar

Em estudos que existem apenas em Paris, na França, e Petrópolis, no Rio de Janeiro, o objetivo é treinar cães para identificar mais de 40 tipos de tumores de mama. A iniciativa, no Brasil, é do Projeto KDog, que usa fluidos corporais para analisar a possível existência de um câncer de mama por meio de odores característicos.

O material a ser analisado pelos animais é obtido após passar um lenço umedecido na pele do paciente. Com isso, o cão não tem contanto com a pessoa e possui amostra necessária para avaliar a situação. De acordo com as publicações do Instituto Curie, a efetividade na percepção do câncer de mama é de 91%.

Com esses resultados, a Sociedade Franco Brasileira de Oncologia decidiu apoiar o projeto. A medida é administrada pelo cinotécnico Leandro Lopes.

“Esse projeto tem potencial muito grande. É mais fácil mandarmos o kit para regiões ribeirinhas, por exemplo, do que deslocar um mamógrafo. Sabemos quão importante é o diagnóstico precoce de um câncer e os animais podem ajudar a salvar vidas humanas”, avaliou Lopes.

Em um futuro, o desejo é que o método seja usado no Sistema Único de Saúde (SUS) para de forma inicial detectar a doença e poder ajudar no tratamento do câncer.