Projeções apontam derrota de Meloni em referendo constitucional na Itália

ROMA, 23 MAR (ANSA) – Projeções divulgadas nesta segunda-feira (23) apontam vitória do “não” no referendo sobre a reforma constitucional do sistema judiciário proposta pelo governo da premiê Giorgia Meloni, que se empenhou pessoalmente na campanha pelo “sim”.   

De acordo com o instituto Opinio Italia, os italianos rejeitaram a reforma por placar de 53,1% a 46,9%, enquanto o Tecnè apontou placar de 54% a 46% a favor do “não” na consulta popular, vista como um importante teste para o governo em vista das eleições legislativas de 2027.   

O resultado representa uma derrota significativa de Meloni, que foi presença constante nos meios de comunicação nos últimos dias, incluindo até uma inédita participação no podcast do popular rapper Fedez, para tentar mobilizar o eleitorado mais jovem e defender a aprovação da reforma.   

A afluência de fato foi grande para os padrões italianos ? 58,5%, segundo dados ainda provisórios ?, porém registrou números mais altos em regiões tradicionalmente de esquerda, como Emilia-Romagna e Toscana.   

A proposta promovia mudanças significativas na magistratura italiana, como a separação das carreiras de juízes e promotores, impedindo a troca de funções; a criação de um tribunal superior para disciplinar membros do Judiciário; a divisão do Conselho Superior da Magistratura (CSM), órgão de autogoverno da categoria, em duas entidades; e a alteração na forma de eleição dos membros do CSM, que passaria a ser feita por sorteio.   

Para o governo, a reforma era essencial para modernizar a Justiça e evitar que o trabalho de quem julga fosse contaminado pelo de quem acusa. “Não temos nada do que nos arrepender.   

Mantivemos um compromisso com os eleitores”, disse o líder do partido Irmãos da Itália (FdI) ? o mesmo de Meloni ? no Senado, Lucio Malan.   

Já a oposição acusava o Executivo de tentar aumentar o controle sobre o Judiciário, sobretudo com as mudanças no CSM e a criação de um tribunal disciplinar, e de não abordar problemas estruturais da Justiça italiana, como o prazo dos processos.   

Meloni sempre disse que não renunciaria ao cargo em caso de vitória do “não”, mas o fato é que o referendo era visto como um termômetro do sentimento popular em relação ao primeiro governo chefiado por uma mulher na história da Itália, sobretudo por conta da energia gasta pelo Executivo para defender a aprovação da reforma.   

Por outro lado, o triunfo do “sim” representa uma vitória maiúscula para o chamado “campo largo”, a coalizão que une as duas principais forças de oposição no país: o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, e o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), que viam no referendo uma chance de enfraquecer o Meloni em vista das próximas eleições. (ANSA).