Partido de Vannacci propõe restringir conteúdo LGBTQIA+ na TV

Partido de ultradireita, em ascensão na Itália, quer banir conteúdo "homossexualista" e abolir uniões civis

A bandeira do arco-íris é um símbolo do movimento LGBTQIA+
A bandeira do arco-íris é um símbolo do movimento LGBTQIA+ Foto: Pixabay

O partido Futuro Nacional (FN), liderado pelo general de ultradireita Roberto Vannacci, divulgou nesta semana a segunda parte de seu programa eleitoral na Itália. Em ascensão nas pesquisas de intenção de voto, o FN propõe restringir drasticamente conteúdos sobre homossexualidade na televisão, gerando debate intenso no cenário político italiano em vista das eleições legislativas do próximo ano.

  • O Futuro Nacional, partido liderado pelo general Roberto Vannacci, apresentou um programa eleitoral com propostas de ultradireita.
  • O plano inclui a restrição de conteúdo LGBTQIA+ na televisão, proibição de cirurgias de redesignação sexual para menores e a abolição de uniões civis.
  • As medidas são alvo de controvérsia e preocupam o governo de Giorgia Meloni pela capacidade de roubar votos da coalizão governista.

O documento chega na esteira do crescimento do FN em vista das eleições legislativas do ano que vem, movimento que tem causado dor de cabeça ao governo da premiê de direita Giorgia Meloni. A ascensão do partido de Vannacci sugere uma fragmentação ainda maior do eleitorado conservador.

Quais as propostas controversas de Vannacci?

Entre as propostas mais polêmicas, o partido de Roberto Vannacci quer proibir conteúdos definidos como “homossexualistas” ou sobre questões de gênero na TV entre 6h e 23h. O objetivo declarado é manter crianças distantes do tema. A medida seria acompanhada por um sistema de sanções que poderia levar até à suspensão da licença da emissora.

Além disso, o Futuro Nacional busca proibir cirurgias de redesignação sexual e terapias hormonais para menores de idade. O partido pretende transformar essas práticas em “crimes universais”, passíveis de punição na Itália mesmo quando realizadas no exterior. O FN também propõe a abolição das uniões civis entre pessoas do mesmo sexo no país.

O passado polêmico do general

Roberto Vannacci ganhou os holofotes em 2023, quando publicou um livro recheado de teses homofóbicas e racistas. Na obra, o general declara que homossexuais “não são normais” e denuncia um suposto “lobby gay internacional” para promover relações homoafetivas.

Além disso, Vannacci afirma no livro que os “traços físicos” da italiana Paola Egonu, uma das melhores jogadoras de vôlei do mundo e filha de nigerianos, “não representam a italianidade”. Essas declarações geraram forte repúdio e solidificaram sua imagem de figura ultraconservadora.

Ameaça à coalizão de Giorgia Meloni

Atraído pela atenção dada a Roberto Vannacci, o vice-premiê e ministro da Infraestrutura da Itália, Matteo Salvini (Liga), o convidou para integrar seu partido. Vannacci chegou a assumir o cargo de vice-secretário da legenda e teve papel de destaque nas eleições europeias de 2024, quando foi o segundo candidato mais votado no país.

No entanto, em fevereiro de 2026, Vannacci abandonou Salvini e passou a fazer oposição a Giorgia Meloni, tornando-se uma dor de cabeça para a coalizão da premiê. As pesquisas colocam o FN com cerca de 7% das intenções de voto, à frente da Liga (6%) e próximo do conservador Força Itália (FI), do vice-premiê e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, com 8%.

Atualmente, o Irmãos da Itália (FdI), partido de Giorgia Meloni, lidera com 27%. Duas legendas de oposição seguem: o progressista Partido Democrático (PD), com 21%, e o populista Movimento 5 Estrelas (M5S), com 13%. O temor da premiê é de que o general roube votos da aliança governista e facilite uma vitória da centro-esquerda no pleito do ano que vem.

Outras propostas e declarações extremistas

Além das polêmicas sobre questões de gênero, Roberto Vannacci já disse que o ditador fascista Benito Mussolini era um “estadista” que fez “coisas boas”. Ele também sugeriu a criação de salas de aula separadas para crianças com deficiências intelectuais. O general promete abolir o crime de feminicídio e defende um modelo de “patriarcado mediterrâneo”, com a formação de “machos fortes para proteger as mulheres”.

Da IstoÉ com ANSA