Entre prédios e asfalto, são raros os espaços em que o verde sobressai na paisagem paulistana. Mais do que o aspecto estético, contudo, os benefícios ambientais de uma maior cobertura vegetal levaram a Prefeitura a incluir o tema entre os 53 itens do Plano de Metas da gestão 2017-2020. O objetivo é plantar 200 mil árvores em três anos e meio. Na prática, contudo, só 29.456 foram instaladas e o ritmo do plantio se reduziu de 18.934 mudas, entre julho e dezembro de 2017, para 2.550, no primeiro semestre de 2018, uma queda de 86%.

A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente afirma que a redução se deve à suspensão do serviço, cujo contrato foi rescindido pela Prefeitura em julho de 2017. Após pregão, uma nova empresa assumiu o trabalho só em junho deste ano. A validade do atual contrato é de 12 meses e tem custo de R$ 7,4 milhões.

Segundo a secretaria, de julho a outubro foram plantadas 8.062 mudas. Devem ser 17.462 até o fim do semestre, isto é, volume ainda inferior ao do mesmo período do ano passado (de 18.934). “A meta estabelecida para 2020 permanece em curso”, garantiu, em nota. O número também está abaixo da meta acumulada para o segundo semestre deste ano, que é de 80 mil mudas. E não inclui plantio de árvores procedentes de compensação ambiental.

Calor

O objetivo desse trabalho municipal é reduzir as ilhas de calor, melhorar a qualidade do ar, aumentar a permeabilidade do solo e proteger a biodiversidade. A Prefeitura destaca que o novo contrato prevê metas de plantios em áreas pavimentadas (calçadas), ausentes no acerto anterior. Ao todo, segundo a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, apenas 44% do território da cidade tem cobertura vegetal.

A distribuição é, entretanto, heterogênea, de modo que o índice fica em 86,5% em Parelheiros, no extremo sul, e em 6,45% no Itaim Paulista, no extremo leste. A meta de plantio inclui todas as regiões, mas é focada especialmente na área das dez subprefeituras com menor cobertura vegetal, o que inclui a Mooca (237 plantios em um ano) e a Vila Prudente (11), na zona leste, a Vila Mariana (774), na zona sul, e a Sé (483), na área central. As Subprefeituras de Jaçanã-Tremembé e Parelheiros não plantaram nenhuma muda no período. O recorde é da Subprefeitura de São Miguel Paulista (4.580), na zona leste, seguida do Butantã (2.295), na zona oeste.

Qualidade de vida

No primeiro semestre de 2018, a Subprefeitura da Vila Mariana é a que mais plantou – 725 mudas, ante 49 no período anterior. Para atingir a meta 2017-2018, proporcionalmente, deveria ter plantado mais de 2,5 mil. Parte das ações de plantio ocorre com apoio de associações de bairro, como a Horta Comunitária da Saúde e a Muda Vila Leopoldina, nas Ruas Mauros e Uvaias, na Saúde.

“Está muito bom de passear”, diz a dona de casa Maria Fernanda Carvalho, de 58 anos. “Muda a qualidade de vida, tem sombra”, ressalta a aposentada Leonice Tassinari, de 66 anos. Já a auxiliar contábil Eliana Cordeiro, de 36 anos, diz perceber mudança até na qualidade do ar quando sai de casa, na zona leste, para a região central. “Não gosto muito de vir para o centro, prefiro árvores a pessoas. Faz diferença na respiração.”

Professor do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Mackenzie, Magno Botelho diz que regiões arborizadas têm microclima “mais agradável” e menor temperatura. As árvores dificultam a incidência de raios solares no asfalto, por exemplo, além de aumentar a permeabilidade, o que diminui o risco de enchentes. “Elas transpiram muita água, tiram do subsolo e jogam na atmosfera pelas folhas. Em período de umidade baixa, o conforto é bem maior”, comenta. “Dependendo da densidade de árvores, também servem para amenizar a poluição sonora.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.