Edição nº2551 09/11 Ver edições anteriores

Professores para o Brasil

Quando secretário de Educação do estado de Pernambuco, gostava imensamente de visitar as escolas – do litoral ao sertão. Sempre que entrava numa sala de aula, costumava perguntar: quem aqui quer ser professor? Começando pelas turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental, a resposta era quase unânime: muitos estudantes queriam seguir, um dia, a carreira do magistério. Mas, à medida que ia avançando nas salas relativas aos outros anos escolares, essa resposta ia sendo gradualmente reduzida, chegando praticamente a zero. Ou seja, os estudantes iam perdendo o encanto pela carreira do professor. A pergunta que precisamos fazer é: qual é a razão do desencanto dos nossos estudantes à medida que vão crescendo?

Esse quadro também foi visto – no caso dos estudantes brasileiros – na última realização do Programa de Avaliação de Desempenho de Estudantes (PISA) – uma avaliação internacional da aprendizagem de estudantes de 15 anos de idade em Matemática, Ciências e língua materna. Ao contrário dos estudantes dos países com melhor desempenho em educação do mundo, como Singapura, Finlândia e Japão, nenhum estudante brasileiro queria seguir a carreira do magistério! Isso é muito triste para um país que deseja ser protagonista no cenário mundial. Precisamos urgentemente tornar a carreira do magistério atrativa para os nossos jovens brasileiros. E como fazer isso?

Essa pergunta cabe particularmente bem no momento em que comemoramos, nesse 15 de outubro, o Dia do Professor. Foi em 15 de outubro de 1827 que o então imperador do Brasil, dom Pedro I, decretou uma Lei Imperial responsável pela criação do Ensino Elementar no Brasil (que chamou de “Escola de Primeiras Letras”). Por meio desse decreto, todas as cidades deveriam ter escolas de primeiro grau. O decreto também determinava o salário dos professores, as matérias básicas e até o modo como os professores deveriam ser contratados. Essa data foi oficializada nacionalmente como feriado escolar por meio do Decreto Federal nº 52.682, de 14 de outubro de 1963: “Para comemorar condignamente o Dia dos Professores, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias”.

A primeira coisa que precisamos fazer para tornar atrativa a carreira do magistério é reconhecer sua importância social. O professor não pode ser visto no Brasil como um “coitadinho”, e sim como alguém que é estratégico para o desenvolvimento do país. Para isso, precisamos, mais do que nunca, começar a ter respeito pelo professor e a valorizá-lo na sala de aula. Cresce a cada ano o desrespeito dos estudantes por nossos professores. Famílias, assumam o seu papel: eduquem seus filhos! A função de educar não é só das escolas, mas das famílias também – é o que diz o artigo 205 da Constituição Federal de 1988.

Em segundo lugar, precisamos estabelecer um plano de carreira nacional digno para nossos professores. O problema, segundo vários estudos, não está no salário inicial, mas em sua desvalorização ao longo da carreira. Basta compararmos a carreira de docente a de outros profissionais com a mesma titulação acadêmica.

Em terceiro lugar, precisamos melhorar muito a formação do professor. Atenção, universidades brasileiras: preparamos muito mal nossos professores. Eles saem das universidades com muita teoria e pouca prática escolar.
No Japão, a única pessoa para quem o imperador se curva é o professor. Vamos tratá-lo com carinho, valorizá-lo e formá-lo bem, desenvolvendo-o para uma escola em que todos se respeitam e se habilitam para uma vida plena.

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