Economia

Produtores de soja tacham de ‘protecionista’ plano contra desmatamento da UE

Produtores de soja tacham de ‘protecionista’ plano contra desmatamento da UE

(Imagem referencial) Colheitadeira despeja soja dentro de contêiner - AFP

A proposta da União Europeia (UE) de proibir a importação de determinados produtos que favoreçam o desmatamento é um “protecionismo comercial disfarçado de preocupação ambiental”, afirmou nesta terça-feira (23) a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil).

A proposta de legislação, apresentada pela Comissão Europeia em 17 de novembro, “é uma afronta à soberania nacional e coloca a conversão de uso do solo permitido em lei na mesma vala comum do desmatamento ilegal, que já é punido pela legislação ambiental brasileira”, criticou a associação em comunicado.


“A União Europeia precisa entender que não são mais a metrópole do mundo e que o Brasil e demais países da América do Sul deixaram de ser suas colônias”, frisou a associação.

E acrescentou: “Se os europeus estão preocupados com nossas florestas, eles poderiam aproveitar a qualidade de suas terras para replantar também as suas florestas e instituir como aqui a reserva legal e as áreas de proteção permanente dentro das propriedades rurais”, em referência à obrigação de preservar entre 20% e 80% da vegetação nativa prevista no código florestal brasileiro.

A UE propôs proibir a importação de madeira e de outros produtos – como soja, carne bovina, óleo vegetal, cacau e café – que contribuam para o desmatamento, uma iniciativa que as ONGs de defesa do meio ambiente desejam que seja ampliada para outros setores.

O plano, que será debatido no próximo ano pelos Estados-membros da UE e pelos eurodeputados, exigiria que as empresas interessadas em exportar comprovem que seus produtos estão certificados como “livres de desmatamento”.

Essas regras podem afetar países como o Brasil, em um momento no qual a preocupação europeia pelo aumento do desmatamento na região amazônica está atrasando a adoção do acordo comercial entre UE e Mercosul.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou na semana passada os novos dados de desmatamento na Amazônia, segundo os quais, entre agosto de 2020 e julho de 2021, a floresta perdeu 13.235 km² de cobertura vegetal, um aumento de 22% em relação ao período anterior e o pior índice nos últimos 15 anos.

Este é o terceiro aumento anual do desmatamento na Amazônia durante a Presidência de Jair Bolsonaro, o que põe em dúvida a promessa brasileira de reverter essa tendência e eliminar o desmatamento ilegal até 2028, feita pelo governo durante a COP26.